APMGF reúne com ministra da Saúde e manifesta preocupações atuais dos médicos de família

Uma delegação da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), constituída pelo seu presidente (Nuno Jacinto) e pelos vice-presidentes Paula Broeiro e António Pereira esteve hoje (21 de abril) reunida com a ministra da Saúde Marta Temido, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde (António Sales), a secretária de Estado da Saúde (Maria de Fátima Fonseca) e respetivos chefes de gabinete. O encontro permitiu que os dirigentes da Associação transmitissem à tutela os principais desafios que os profissionais dos cuidados de saúde primários (CSP) – com destaque para os médicos de família (MF) e internos da especialidade de MGF – enfrentam no presente, numa fase pós-pandemia particularmente complexa.

“Foi uma reunião longa e esperamos que produtiva. Tivemos a oportunidade de expor as situações que, do nosso ponto de vista, são as mais significativas hoje em dia para os MF. Nomeadamente, a questão da valorização e reconhecimento do nosso trabalho e a centralidade do nosso papel no Sistema e Serviço Nacional de Saúde (SNS). Por outro lado, aflorámos a urgência de valorar a flexibilidade e a autonomia das equipas em que estamos inseridos, bem como matérias de carreira, remunerações, horários, ou concursos, equipamentos ou sistemas de informação, tudo no sentido de conseguirmos encontrar uma forma de melhorar as condições da nossa prática”, explica Nuno Jacinto. O presidente da APMGF considera que os representantes do executivo foram compreensivos e se “mostraram interessados em continuar a dialogar com a Associação e a trabalhar em conjunto num futuro próximo para resolver, a pouco e pouco, estes problemas. Da nossa parte, permanecemos disponíveis para essa mesma tarefa”.

Pese embora a equipa ministerial apresente poucas mudanças face ao anterior executivo e os eixos programáticos para a Saúde avançados pelo novo governo se caracterizem por uma continuidade de políticas, Nuno Jacinto assinala à partida a intenção de o Ministério não querer fechar-se sobre si próprio: “há, pelo menos, a abertura para ouvir aquilo que são as posições dos MF e da APMGF, o que já representa um passo importante. Neste momento, pensamos ser inadiável passar das palavras aos atos. Para além de nos dizerem que somos essenciais e que contam connosco, é fundamental que mostrem isso mesmo e que fortaleçam a cooperação com a Associação e com os outros parceiros, com vista a melhorar a realidade dos CSP e dos MF em Portugal”. Assim, o presidente da APMGF conserva a esperança de que apesar dos agentes políticos serem os mesmos, a tutela adote em definitivo a “atitude de diálogo” agora demonstrada e se registe uma assinalável “mudança relativamente aos últimos anos (não só os marcados pelo anterior governo, mas também os períodos antecedentes), durante os quais a situação nos CSP se deteriorou e um número cada vez maior de MF optou por outras vias que não o SNS”.

A APMGF aproveitou ainda esta reunião para convidar os governantes a participarem na sessão especial comemorativa do Dia Mundial do Médico de Família, que irá organizar a 19 de maio em Lisboa e na qual fomentará uma discussão franca e transparente entre atores do setor da saúde (profissionais, dirigentes políticos e administrativos, representantes sindicais e sócio-profissionais, utentes, etc.), com vista a projetar um futuro mais equilibrado para o SNS e para os CSP em Portugal.

 

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