Surto de hepatite aguda em crianças exige cuidada vigilância

De acordo com os dados mais atuais divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o surto de hepatite aguda em crianças e adolescentes, inicialmente detetado no Reino Unido, o número de casos documentados subiu para 169, em 11 países, sendo que 114 dos mesmos dizem respeito a indivíduos residentes na Inglaterra, Escócia, Gales ou Irlanda do Norte. Refira-se, contudo, que já foram identificados 13 casos em Espanha. Foram ainda confirmados casos nos EUA, Israel, França e outros países da Europa Central e do Norte. Neste momento é ainda desconhecida a origem destes casos, embora os adenovírus estejam a ser investigados como potencial causa para este surto que afetou crianças e adolescentes (de um mês de idade até aos 16 anos). Sublinhe-se que a presença de adenovírus foi confirmada em pelo menos 74 dos casos e entre as situações em que existe informação sobre teste molecular assinala-se uma clara preponderância do subtipo F41. Pode encontrar o sumário informativo da OMS sobre o surto aqui.

A maioria dos doentes apresenta um quadro sintomatológico inicial caracterizado por dor abdominal, diarreia e/ou vómitos, sendo a febre um sintoma pouco prevalente. A evolução da doença conduz em muitos casos a hepatite aguda grave, com níveis aumentados das enzimas hepáticas como a AST e a ALT. Nesta fase, a OMS considera prioritário investigar em detalhe a origem etiológica destes casos mas relembra que medidas de prevenção básicas contra adenovírus e outros agentes infeciosos, como a lavagem regular das mãos e a prática de uma rigorosa higiene respiratória, são recomendáveis.

A organização instiga também os países membros a realizar um estudo aprofundado dos casos que surjam no seu território, com recurso se possível a análises sanguíneas, serológicas, de urina, de amostras de fezes, de amostras respiratórias, assim como a biópsias hepáticas, com vista a uma melhor caracterização e sequenciação de genoma viral. Outras potenciais causas infeciosas e não infeciosas também devem ser objeto de estudo. Por fim, a OMS não recomenda, para já, a implementação de medidas restritivas de circulação de pessoas e bens de e para os países onde foram detetados casos.

À data de hoje (26 de abril) a Direção-Geral da Saúde garante que “não há registo de situações idênticas em Portugal”, mas assegura que “está atenta aos casos de hepatite aguda de origem desconhecida em crianças que têm surgido na Europa”. Entretanto, a Sociedade Portuguesa de Pediatria confirma que “juntamente com as Sociedades de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição, Infeciologia, Urgência e Emergência e Cuidados Intensivos, está a elaborar documentos orientadores para pais e profissionais para preparar a resposta a um possível surto de hepatites reportado pelas autoridades de saúde internacionais e nacionais”.

 

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