Clube de Leitura - Setembro 2022

Clube de Leitura propõe narrativa sobre surdez, envelhecimento e mal-entendidos no trajeto da existência

A obra «A vida em surdina», do escritor britânico David Lodge, constituirá o ponto de partida e de chegada da próxima sessão do Clube de Leitura APMGF, agendada para o próximo dia 21 de setembro, pelas 21h00. A participação no Clube de Leitura está sujeita a inscrição prévia, é gratuita para os sócios da APMGF e tem um custo de 35 euros para não sócios (valor que permite participar no ciclo integral de oito sessões). No final do ciclo, todos os participantes do Clube de Leitura que tenham assistido às sessões em direto receberão um diploma de participação entregue pela APMGF.

Pascale Charondière, médica de família e coordenadora da UCSP Olivais (Lisboa), será a dinamizadora da sessão e é da sua responsabilidade a escolha deste livro que o romancista sediado em Birmingham (que também conta com produção de nota na área da dramaturgia e no âmbito do ensaio) lançou em 2008.

Trata-se de uma história que é, ao mesmo tempo, simples e complexa, mescla de reflexões sobre a surdez (as dúvidas que suscita e o seu impacto indesmentível) com um julgamento pessoal sobre a vida e a morte, o envelhecimento, as mágoas não verbalizadas, a perda e o desespero silenciosos, centrada no personagem Desmond Bates, professor de linguística aposentado.

“Quando li pela primeira vez «A vida em surdina». de David Lodge. fiquei espantada o quanto desconhecia o mundo da surdez. A experiência foi tão vívida que, assim, de repente, tornei-me surda no tempo duma leitura. Mudei o meu olhar sobre a surdez (aliás nunca me tinha debruçado sobre o viver mais ou menos surdo). Teve impacto na prática clínica: passei a respeitar e ouvir melhor quem sofre de surdez, estar mais atenta aos sinais do faz de conta, os «sins» que não o são, só disfarçam. Deixar espaço para expressar, sem deixar de sentir esta barreira na comunicação, por vezes intransponível”, esclarece Pascale Charondière.

Para a dinamizadora da sessão, “neste caminho de estimular a empatia através da leitura, passar do «intuir» ao «parar para pensar», o livro traz o sentir do inelutável envelhecer nosso e dos nossos. «Mourir, cela n’est rien. Mourir, la belle affaire. Mais vieillir, Ô vieillir», cantou Jacques Brel. Aparentemente é uma história triste, destas que invadem o nosso quotidiano como médicos de família. O humor salva-a das negruras do tema… rimos dos outros rindo de nós próprios, velhos em devir, talvez surdos um dia”.

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