Mudança nas Políticas de Saúde

APMGF defende que com ou sem Direção Executiva do SNS é inadiável uma mudança de fundo nas políticas de Saúde

Convidado a comentar o impacto da aprovação do novo Estatuto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nos cuidados de saúde primários (CSP) e a escolha do novo diretor executivo do SNS, o presidente da APMGF afirmou na SIC Notícias que os médicos de família portugueses aguardam com expectativa o que poderá trazer a nova Direção Executiva, mas estão igualmente cientes de que é fundamental adotar medidas reformistas na prática: “não basta criar estruturas, não basta enunciar princípios ou intenções em Diário da República, é preciso que haja ações consequentes e uma clara mudança de política”.

E no que toca aos CSP, Nuno Jacinto explicou que é urgente que se verifique “uma maior valorização do trabalho dos profissionais, nomeadamente dos médicos de família (MF), para que possamos inverter a tendência que vivemos hoje em dia e que tem levado a que cada vez mais portugueses fique sem MF atribuído e com menor acesso a cuidados”.

Face ao carácter indispensável das reformas a implementar e ao facto de a nova Direção Executiva do SNS apenas assumir funções em janeiro de 2023, o presidente da APMGF considerou importante que a equipa de Manuel Pizarro coloque mãos à obra de imediato e faça avançar transformações no sistema de saúde: “a Direção Executiva assume funções somente em 2023 mas, até lá, temos um Ministério da Saúde e uma equipa ministerial a trabalhar. Sabemos que muitas questões problemáticas não podem ser resolvidas de um dia para o outro, mas podem começar já a ser tomadas medidas que inflitam o atual rumo e nos ajudem a iniciar o caminho de melhoria das condições de prestação de cuidados que existem nos centros de saúde”.

Para Nuno Jacinto, é evidente que embora os CSP sejam reconhecidos pela tutela como a base de todo o sistema de saúde, ao longo dos anos foram objeto de desinvestimento progressivo: “de tal forma foram mal tratados que dispomos cada vez menos de profissionais (e sobretudo MF) a quererem ficar no SNS. Esta é uma das prioridades urgentes, que convém desde já atacar, para que possamos – como pede o Sr. Ministro da Saúde – contar com uma melhor articulação de cuidados, prestar cuidados de melhor qualidade aos nossos utentes e aperfeiçoar as redes de referenciação. Para que tudo isto aconteça, são necessárias medidas concretas e uma clara mudança de política”.

 

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