GRESP reencontra-se com o Porto no arranque de um novo ciclo para os cuidados respiratórios

O Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias (GRESP) da APMGF decidiu regressar ao Porto, cidade onde foi sempre feliz na organização de eventos, para as suas 8ªs Jornadas, dedicadas ao tema «Desafios e oportunidades em cuidados respiratórios – um novo ciclo». As jornadas reuniram cerca de 400 participantes, empenhados em trabalhar e apreender novos conceitos em muitas sessões temáticas, simpósios e seis oficinas práticas e em partilhar ciência através de várias dezenas de posters e comunicações orais.

Apesar de ter retomado uma forte componente presencial após o período mais grave da pandemia, a organização decidiu manter uma vertente on-line nestas jornadas, permitindo que colegas distantes da Invicta pudessem associar-se à atualização científica em cuidados respiratórios, como referiu Cláudia Vicente, coordenadora do GRESP: “o GRESP esforça-se por levar adiante a sua missão, adaptando o formato do evento a todos os colegas que podem estar no Porto e desejam fazê-lo presencialmente, mas também aos colegas que permanecem em casa. Estamos presentes na bonita cidade do Porto, numa relação de proximidade e numa cidade que nos tem acolhido tanto e que, de alguma forma, é também o berço deste Grupo”.

Segundo esta responsável, “as doenças respiratórias ganharam com a pandemia maior destaque e foram foco de mais atenção por parte da opinião pública. Sabemos da sua importância e da sua prevalência. Estimamos que existam cerca de 10% de asmáticos e 14% de doentes com DPOC em Portugal e que o cancro do pulmão é um dos mais prevalentes e mortais. Também a consulta aguda de etiologia respiratória é uma das mais frequentes nos CSP. Por isso mesmo, estamos presentes aqui no Porto, a discutir estes temas”.

Para Cláudia Vicente, existem dados na atualidade que reforçam a urgência de o país reorientar agulhas no campo das doenças respiratórias: “dados nacionais retirados recentemente do BI dos CSP mostram-nos um elevado sobrediagnóstico. Mostram-nos, por exemplo, que a proporção de utentes com asma é de 3,37% e com DPOC de 1,37%. A percentagem de doentes asmáticos com consultas de vigilância a um ano é de cerca de 36%, enquanto que na DPOC essa fatia é de 52%. É preciso que todos, em conjunto, ajudem a mudar as políticas de saúde e a criar um caminho, com espaço dedicado, com indicadores, com mais acesso a meios complementares de diagnóstico e mais reabilitação pulmonar, com fim a melhorar os cuidados prestados a estes doentes. Acreditamos também que o caminho está no trabalho em equipa, entre os diversos grupos profissionais, nomeadamente com os enfermeiros e os colegas das diversas especialidades representadas nestas jornadas”.

Uma das figuras chave que se deslocou até ao Porto para colaborar com a iniciativa formativa do GRESP foi Carlos Robalo, pneumologista, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e presidente da European Respiratory Society (ERS). O dirigente em causa abordou, em particular, o desenvolvimento da International Respiratory Coalition, projeto colaborativo da ERS que visa congregar esforços de vários quadrantes no sentido de posicionar os cuidados respiratórios no centro da agenda do Velho Continente: “queremos obter números concretos, que nos permitam ir junto dos decisores políticos e dizer que a doença respiratória representa isto em termos de perdas na atividade laboral, de despesa ou de mortalidade. Só assim, de facto, conseguiremos obter alguma capacidade de influência – como outras patologias tiveram até agora – e entrar nos eixos prioritários de decisão ao nível global europeu”.

 

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