4º Encontro Diabetologia

Combate à diabetes exige cada vez maior coordenação de esforços clínicos e científicos

O 4º Encontro Anual de Diabetologia da APMGF, organizado pelo Grupo de Estudos de Diabetologia (GED) da APMGF nos dias 10 e 11 de novembro, em Aveiro, conta com mais de 110 inscritos e significa um verdadeiro salto em frente nas iniciativas deste grupo, não apenas pelo número de presenças e pelas várias sessões realizadas em parceria com outros grupos de estudo da APMGF, mas também pela grande proximidade e colaboração com outras sociedades científicas que se movimentam na área da diabetes mellitus, como sejam a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), a Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) ou a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), através do seu Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus (NEDM), cujos representantes integraram os trabalhos em Aveiro.

O reforço de laços colaborativos entre sociedades congéneres e a definição de estratégias comuns para o aperfeiçoamento dos cuidados prestados no campo da diabetes em Portugal foi, aliás, uma pedra de toque do evento, com o membro da coordenação do GED e da comissão organizadora do evento e médico da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), Manuel Rodrigues Pereira, a lançar um repto importante: “fica o desafio de criarmos uma espécie de «geringonça» das sociedades e associações neste domínio, para dinamizar reuniões regulares fora dos congressos, em que entidades como a SPD, a SPEDM, a APDP e o GED da APMGF, possam desenvolver e acertar uma voz unida, de forma a que quando falam com o ministro da Saúde, por exemplo, tenham uma posição conjunta e indivisível”.

De acordo com Estevão Pape, coordenador do NEDM da SPMI, após as dificuldades e oportunidades geradas pela pandemia nos últimos anos e com os avanços terapêuticos registados recentemente, a luta contra a diabetes entra em definitivo numa nova etapa, que é preciso abraçar sem reservas: “o futuro está na nossa capacidade de encarar esta «nova diabetes», de assumir esta nova maneira de a prevenir e tratar, atendendo aos avanços registados nesta área terapêutica. Temos é de gerir melhor o tempo e a integração de cuidados, variável que porventura justifica que revisitemos e aperfeiçoemos o Programa Nacional para a Prevenção e Controlo da Diabetes (PNPCD)”.

Sobre a importância do tempo a dedicar aos doentes crónicos, com vista a fazer marcada diferença na sua evolução futura, João Jácome de Castro, presidente da SPEDM, foi perentório e acrescentou que este é um dos tipos de acessibilidade que urge aumentar para os doentes portugueses, em conjunto com a acessibilidade à informação, aos serviços de saúde e às terapêuticas: “o tempo é um aspeto fundamental e nós, médicos, temo-nos batido pouco por isso. Os médicos e os enfermeiros, tal como todos os outros profissionais de saúde, têm de ter condições para trabalhar e ter tempo para escutar os doentes”. Por outro lado, Jácome de Castro considera essencial que o nosso país se aproxime de outras nações europeias, na generalização dos melhores tratamentos disponíveis para a diabetes: “Portugal tem sempre um atraso de aproximadamente dois anos, relativamente a um conjunto de países da Europa que estão para lá dos Pirenéus, no que respeita à apresentação de novos fármacos. Temos, pois, de trabalhar para superar tal atraso”.

A articulação e integração de cuidados ao doente crónico (neste caso, diabético) foi uma vertente que, segundo Inês Rosendo, membro da Direção Nacional da APMGF, acabou por sair prejudicada pela pandemia, pese embora todas as novas vias de acesso aos serviços de saúde criadas na esfera digital/não presencial: “infelizmente, a articulação entre os CSP e os hospitais não melhorou nos últimos anos e é incrível como, vivendo num mundo tão tecnológico, não conseguimos por esta coordenação num nível mais equilibrado”. Para esta dirigente, é imperioso que se avance nesse “caminho de construir pontes para prestar os melhores cuidados possíveis às pessoas com diabetes”.

Já João Filipe Raposo, endocrinologista e presidente da SPD, sublinhou que a evidente progressão ao nível da literacia em saúde, da capacitação do doente diabético e da potenciação de novas terapêuticas eficazes não pode iludir a sociedade portuguesa e os profissionais de saúde, conduzindo-os a uma banalização da doença: “a evolução das formas de tratamento da diabetes e da relação que estabelecemos com o doente diabético está, provavelmente, a deixar muitas pessoas para trás. Estamos a extremar populações – com mais ou menos literacia em saúde, mais ou menos acesso a tecnologia – e cada vez temos mais dificuldades em manter o meio, à medida que caminhamos em dois sentidos opostos, sendo que existem já pessoas que desenvolvem bombas de insulina inteligentes por si próprias, enquanto outras permanecem muito dependentes de orientação”.

Paulo Santos, presidente do Colégio de MGF da Ordem dos Médicos (OM), lembrou que Portugal surge nas estatísticas como líder europeu no número de doentes diabéticos e um dos mais penalizados em termos de prevalência de excesso de peso e obesidade, principais fatores de risco para a diabetes: “a prevenção está a ser mal feita. Olhamos muito para a pessoa com diabetes a partir do momento em que ela tem um glicemia superior a 126 mg/dL, mas olhamos pouco para a pessoa que ainda não tem diabetes mas apresenta um elevado risco de vir a desenvolvê-la, não lhe oferecendo por exemplo acesso a tratamentos preventivos. Estamos a perder um leque de oportunidades ao longo do ciclo de vida que permitiriam modificar o padrão de risco”.

Prémios

 

Menção Honrosa para a Melhor Comunicação Livre na área temática de Investigação

«Determinantes para desenvolver diabetes mellitus tipo 2: estudo de casos e controlos na região centro de Portugal»

João Pestana, Marta Sebastian, Luiz Miguel Santiago

USF Topázio, Faculdade de Medicina da Universidade Coimbra

Menção Honrosa para a Melhor Comunicação Livre na área temática de Relato de Caso

«Diabetes e doença bolhosa, um quebra-cabeças»

Mariana Seoane Serrano, Marta Fernandes

USF Fiães

Prémio para a Melhor Comunicação Livre na área temática de Investigação

«RECONDIA – Relação entre controlo glicémico, conhecimentos e competências na diabetes”

André Gomes Roque, Inês Rua, Pedro Ruivo, Leonor Amaral, Mariana Fael, Rita Ribau, Eliana Bonifácio, Maria João Marques

USF Santa Joana

Menção Honrosa para a Comunicação Livre em Formato de Poster na área temática de Relato de Caso

«É preciso uma aldeia para controlar a diabetes»

Eugénia Rascão, Daniela Costa Oliveira, Érica Viana Rocha

USF Bombarral

Prémio para a Melhor Comunicação Livre em Formato de Poster na área temática de Investigação

«Diabetes: alimentação, movimento e bem estar”: Projeto de intervenção de promoção de saúde e prevenção terciária»

Pedro Lopes Vaz, Inês Santos Cruz, Ana Luísa Pinto, Andreia Lasca, Inês Laia Dias, Raquel Pires Santos, Daniela Moreira

USF Viriato – ACeS Dão Lafões, USF Viriato – ACeS Dão Lafões; Unidade Coordenadora Funcional da Diabetes de Dão Lafões

 

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