Encontro Nacional debate evolução da MGF no sector privado da saúde

Numa fase em que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa grandes desafios e dificuldades, em que novas ideias surgem sobre como melhorar a organização das unidades e níveis prestadores de cuidados e numa altura em que muitos profissionais começam a olhar para a prática da Medicina fora da esfera pública como algo mais do que uma atividade complementar, torna-se crítico analisar outras formas de se ser médico, que estão para além dos tradicionais centros de saúde e das mais recentes unidades de saúde familiar (USF).

É precisamente isso que será feito durante o debate «MGF no Sector Privado da Saúde», porventura um dos mais polémicos e intrigantes do 40º Encontro Nacional de MGF. “Vamos analisar e debater qual o papel da MGF no âmbito do sistema de saúde privado, percebendo o que é feito atualmente, que diferenças existem para o SNS e qual o caminho que pode ou deve ser percorrido. Iremos ainda discutir as possibilidade de articulação com o SNS e perceber qual o papel da APMGF nesta temática, enquanto Associação que representa todos os médicos de família em Portugal”, avança Nuno Jacinto, presidente da APMGF. Entre os convidados já confirmados para este debate livre estão João Sequeira Carlos, ex-presidente da APMGF e diretor do Serviço de MGF do Hospital da Luz (Lisboa) e Rui Diniz (presidente da Comissão Executiva/CEO da CUF Saúde).

João Sequeira Carlos recorda que uma sessão dedicada ao exercício da MGF no sector privado não é inédita nos eventos da APMGF mas que “no atual momento afigura-se muito oportuno revisitar o tema. Os sistemas de saúde do século XXI têm de estar verdadeiramente centrados nas pessoas e congregar na sua organização os diferentes sectores responsáveis pela prestação de cuidados. A cooperação entre todos servirá melhor as necessidades de saúde da população. Neste contexto sistémico é essencial que a MGF esteja presente na liderança da coordenação de cuidados. A importância da nossa especialidade e dos CSP é evidente e como tal o sector privado integrou nas suas unidades serviços de MGF”.

O responsável pelo Serviço de MGF do Hospital da Luz de Lisboa assegura que na sua comunicação irá “ilustrar como o Grupo Luz Saúde inclui na sua organização a MGF. A especialidade está presente em todas as unidades e assume-se como elemento de primeiro contacto e de cuidados de proximidade. Será especialmente abordado o enquadramento da MGF em contexto hospitalar, nas diferentes dimensões – assistencial, formação/ensino e investigação”. Ainda segundo João Sequeira Carlos, naquela unidade de saúde privada “o trabalho de equipa entre médicos de família e colegas de outras especialidades no mesmo espaço físico tem impacto positivo na prestação de cuidados e na satisfação dos profissionais de saúde e dos doentes. O modelo é inovador no nosso país e tem um grande potencial de desenvolvimento e expansão. O que está a acontecer no sector privado é muito benéfico para o futuro da MGF!”.

Já Rui Diniz ressalva que “os médicos de MGF são um dos pilares centrais de qualquer sistema de saúde. São o primeiro contacto com o doente, com as suas famílias, com a comunidade e o principal elo de ligação com as restantes especialidades médicas. O dirigente vai ainda mais longe: “para a CUF, enquanto líder de prestação de cuidados de saúde em Portugal e com inúmeros profissionais de MGF a colaborar na nossa rede a nível nacional, importa destacar a atuação desta especialidade médica, principalmente pelo papel ativo que esta representa na manutenção da saúde e bem-estar, nomeadamente através da prevenção, da vigilância das doenças crónicas e do acompanhamento necessário ao longo da vida de cada pessoa. O doente confia no seu profissional de MGF, que conhece o seu histórico de saúde e que cuida também da sua família. Com esta confiança inerente, os médicos de MGF participam ativamente na vida dos portugueses, tendo, por isso, um forte contributo para a consciencialização e promoção de uma vida saudável”.

Rui Diniz espera que o 40º Encontro Nacional de Medicina Geral e Familiar seja “um momento de reconhecimento desta especialidade e um evento que permite aprofundar e atualizar conhecimentos, através da partilha de experiências, com vista a um mesmo propósito: reforçar a qualidade clínica dos cuidados de saúde prestados aos portugueses”.

 

Leia Também

Os workshops do 41º Encontro Nacional podem fazer a diferença na sua eficácia clínica!

Grupo de Estudos de Medicina Centrada na Pessoa promove workshop que o ajudará a lidar com doentes difíceis

O Departamento de Investigação da APMGF promove mais uma reunião aberta no dia 21 de fevereiro!

Recentes