Arcos de Valdevez congregou as atenções da MGF nacional durante dois dias

Com 160 participantes e dois dias de intensos trabalhos em que se enquadraram três sessões temáticas, duas conferências, dois simpósios e cinco workshops, para além de sessões para discussão de comunicações livres, o Encontro de MGF do Alto Minho regressou em boa hora a Arcos de Valdevez, vila com ligações históricas ao evento e que já o acolhera com sucesso por duas vezes. Esta nova passagem do Encontro de MGF do Alto Minho por Arcos de Valdevez aconteceu aliás num ano marcante para o centro de saúde local, que comemora 40 anos nas atuais instalações. Daí a realização de uma sessão promovida pela Associação do Centro de Saúde de Arcos de Valdevez (ACS-AVV), na qual foi divulgado um boletim a publicar pelo Grupo de Estudos do Património Arcuense (GEPA) sobre o Centro de Saúde de Arcos de Valdevez e a sua história, que incidirá também sobre a evolução dos CSP neste concelho.

Na perspetiva de Sofia Azevedo, membro da comissão organizadora do Encontro de MGF do Alto Minho e delegada distrital em Viana do Castelo da APMGF, a decisão de voltar a Arcos de Valdevez mostrou-se acertada: “este ano aliámos a realização do Encontro em Arcos de Valdevez com um momento importante para o centro de saúde local, que comemora 40 anos no atual edifício. Isto fez-nos pensar um pouco sobre o passado do centro de saúde e do SNS, levou ao lema escolhido para o evento «Médico de Família, saúde em proximidade ontem, hoje e sempre!» e abriu portas à conferência de abertura, na qual fomos buscar um pouco do nosso passado para tentar perceber o que queremos para o nosso futuro”. De facto, a conferência inaugural a cargo de Alcindo Maciel Barbosa, ex-diretor do Centro de Saúde de Ponte de Lima e ex-presidente do Conselho Diretivo da ARS do Norte, intitulada «SNS – passado, o grande mestre do futuro», deu arranque a uma interessante viagem conceptual que conheceu o seu fim – e o fechar de ciclo – no último dia de trabalhos, com a conferência de encerramento «Pontes para o futuro da MGF», apresentada pelo recém-especialista em MGF e assistente convidado da Escola de Medicina da Universidade do Minho, João Braga Simões. “Sabemos que estes tempos são desafiantes e propícios a refletir sobre os cuidados de saúde, mas desejamos continuar a inovar e a melhorar. Ou seja, estamos cá para continuar a trabalhar por este Serviço Nacional de Saúde e é importante também motivarmos os recém-especialistas a investirem no SNS e na MGF, que é uma carreira aliciante e compensadora. Necessitamos, todavia, que muitas coisas sejam transformadas para que o quotidiano não seja demasiado desgastante e nos leve à exaustão”, explica a delegada distrital da APMGF em Viana do Castelo.

Sofia Azevedo realça ainda a circunstância de o Encontro de MGF do Alto Minho ser preparado, de há uns anos a esta parte, em parceria pela Delegação Distrital de Viana do Castelo da APMGF, o centro de saúde que acolhe o evento anualmente e a Direção de Internato Ricardo Jorge, algo que permite que esta iniciativa se torne numa peça suplementar da formação anual dos internos da MGF, ao invés de um momento de aprendizagem desgarrado: “queremos ser um complemento em termos formativos para os internos e para aqueles que, deixando o internato, continuam a trabalhar nas proximidades (ou até mais longe) mas que continuam a vir até nós. Na verdade, é um momento de reencontro para todos aqueles que se especializaram nesta região”.

Entre os diversos temas clínicos analisados no Encontro de MGF do Alto Minho, ganhou especial ênfase a gestão da dor crónica. “A dor consome muitos recursos em saúde, não só ao nível do tempo de consulta, mas também em termos de medicação. Depois, revela um grande impacto na qualidade de vida dos doentes, na sua vivência social e no absentismo laboral. Embora este panorama seja uma realidade, a dor acaba por não ser valorizada como deveria ser, porventura porque é difícil de medir. Mas perante o impacto social e económico que a dor implica, verificamos que existe hoje uma necessidade crescente de a melhor controlar e de olhar para ela como uma doença, com o objetivo de tratá-la e possibilitar que as pessoas desempenhem o seu papel na sociedade e vivam com qualidade”.

Na sua comunicação aos participantes do 23º Encontro de MGF do Alto Minho, o presidente da APMGF lembrou que “vivemos tempos que não são fáceis na MGF. Todos sentimos isso na pele e no dia-a-dia e do ponto de vista da Direção Nacional da APMGF, essa sensação passa muito pelo facto de não temos a valorização e o respeito que nos é devido. É preciso alterar este estado de coisas para que possamos cumprir o lema que foi escolhido este ano para o Encontro de MGF do Alto Minho, à medida que prestamos cuidados de proximidade, como fizemos no passado, como tentamos fazer hoje e para que o possamos continuar a fazer no futuro”. O dirigente sublinhou que “têm sido dados passos tímidos no sentido de melhorar a situação dos MF”, mas que os deixam longe de onde pretendem chegar e que é fundamental concretizar mudanças no que respeita à remuneração, “já que para se ser um MF feliz é necessária remuneração condigna e em linha com as responsabilidades da atividade”, assim como alterações de fundo na carreira, “ajustes nas listas de utentes, flexibilidade e autonomia nas unidades, condições físicas de trabalho, equipamentos e todo um conjunto de fatores que nos fazem falta e ajudarão a melhorar a realidade dos especialistas em MGF, se houver vontade de implementar tais transformações”. Por fim, Nuno Jacinto assegurou que a APMGF jamais assumirá uma postura de crítica puramente demolidora e que está empenhada em construir com todos os parceiros institucionais e os MF portugueses respostas centradas no amanhã e na procura de elevar a fasquia de qualidade dos CSP no nosso país: “como é nosso apanágio, apontamos falhas mas também soluções e os caminhos que devemos trilhar para resolver os atuais problemas. Foi por isso que lançamos no dia 27 de maio, data que marcou os 40 anos da fundação da APMGF, o livro “Um novo futuro para a MGF em Portugal”, que está já disponível para leitura no nosso portal e será enviado aos sócios. Trata-se de uma obra que procura lançar a discussão, abordar problemas do presente e propor saídas. Como aconteceu com o Livro Azul, se daqui a 15 ou 20 anos uma pequena parte destas ideias estiver aplicada no terreno então terá valido a pena o esforço e certamente conseguiremos dar sequência ao lema «Médico de Família, saúde em proximidade ontem, hoje e sempre»”.

Prémio Científicos

Comunicação Livre – Investigação

Menção Honrosa

VERDADE OU MITO SOBRE CONTRACEÇÃO? – PROJETO DE INVESTIGAÇÃO

Joana da Costa Pacheco Araújo1, Inês Santana Peixoto2, Ana Rita Fernandes3, Soraia Liliana Gonçalves3, Catarina Vilaverde Soares3

1 USF Mais Saúde – ULSAM, 2 USF Terra da Nóbrega – ULSAM, 3 USF Vale do Vez – ULSAM

Comunicação Livre – Investigação

Menção Honrosa

INÉRCIA TERAPÊUTICA NA OSTEOPOROSE EM MULHERES PÓS-MENOPÁUSICAS

Mariana Cruz da Silva1, Conceição Outeirinho2, Nina Lopes1, Alexandra Pimentel1, Isabel Mina1, Maria João Gonçalves1, Henrique Sottomayor1, Inês Bento1

1 USF Garcia de Orta, ACeS Porto Ocidental, 2 USF Barão de Nova Sintra, ACeS Porto Oriental

Comunicação Livre – Qualidade

Menção Honrosa

DIAGNÓSTICO E RASTREIO DA INFEÇÃO PELO VIH – UM PROJETO DE GARANTIA DE MELHORIA CONTÍNUA DA QUALIDADE

Filipa Carneiro Cunha1, Patrícia Casanova Carvalho1

1 USF Santa Clara

Comunicação Livre – Qualidade

Prémio

INTERVENÇÃO PARA A CESSAÇÃO TABÁGICA EM POPULAÇÃO DE RISCO – UMA MELHORIA CONTINUA DA QUALIDADE

Marlene Miranda1, Inês Ribeiro1, Luísa Pinheiro1, Maria Fátima Carvalho1, Andreia Ramôa1, Claudia Souza1, Sandra Garrido1

1 ACES Cávado III – USF Viatodos

Comunicação Livre – Relato de Caso

Menção Honrosa

SÍNDROME DA ARTÉRIA MESENTÉRICA SUPERIOR – RELATO DE CASO

Maria João Reis1, Joana Coelho1, João Pinto1, Raquel Brites1, Ana Marques1

1 USF S. Simão Junqueira

Comunicação Livre – Relato de Caso

Prémio

QUANDO O MEDO DO UTENTE LEVA A UM DIAGNÓSTICO INESPERADO – UM RELATO DE CASO

Marlene Miranda1, Laura Rego1, Sandra Garrido1

1 ACES Cávado III – USF Viatodos

Comunicação Livre – Relato de Prática

Menção Honrosa

PRIMEIROS SOCORROS – UM PROJECTO DE INTERVENÇÃO EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Margarida Morais Lopes1, Cátia Lisboa e Silva1, Ana Catarina Coelho2, Joana De Beir3

1 USF da Baixa – ACES Lisboa Central, 2 Centro Hospitalar de Leiria, 3 Hospital Pediátrico – Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

Comunicação Livre – Relato de Prática

Prémio

PROJETO DE INTERVENÇÃO MASS TRAINING EM SUPORTE BÁSICO DE VIDA A ALUNOS DO ENSINO SECUNDÁRIO: UM RELATO DE PRÁTICA

Mónica Rodrigues dos Reis1, Joana Saraiva2, Júlia Neves1, Ana Rute Carreia1, Maria Inês Almeida2

1 USF D. Diniz, 2 USF Cidade do Lisboa

Comunicação Livre – Revisão de Tema

Menção Honrosa

ALTERAÇÕES DAS PROVAS HEPÁTICAS EM ADULTOS ASSINTOMÁTICOS- ABORDAGEM NOS CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS

Isabel Mina1, Mariana Cruz da Silva1, Maria João Gonçalves1, Nina Lopes1, Rodrigo Costa2

1 USF Garcia de Orta, 2 USF Garcia de Orta

Comunicação Livre – Revisão de Tema

Prémio

SUPLEMENTAÇÃO COM ÁCIDO FÓLICO ALÉM DO 1º TRIMESTRE DA GRAVIDEZ – QUAL A EVIDÊNCIA?

Daniela Pereira Alves1, Joana Araújo1, Mariana Oliveira2

1 USF Mais Saúde, 2 USF Foz do Minho

Poster

Menção Honrosa

PERSISTÊNCIA MÚLTIPLA

Daniela Pereira Alves1, Tomás Martins1, Carla Martins1, Virgínia Laranjeira2

1 USF Mais Saúde, 2 UCSP Darque

Poster

Menção Honrosa

HOJE NÃO, VAI DOER-ME A CABEÇA!

Catarina Soares; Ana Rita Fernandes; Estefânia Teixeira; Sílvia Duarte; Soraia Gonçalves; Rita Ribeiro1, Fabíola Ferreira1, Fernanda Araújo1, Sílvia Sousa1

1 USF Vale do Vez

Poster

Prémio

ANCA DOLOROSA EM IDADE PEDIÁTRICA – UMA REVISÃO DAS ENTIDADES MAIS FREQUENTES

Margarida Martins Costa1, Catarina Campos2, Ana Luísa Monteiro3

1 USF Arquis Nova, 2 USF Foz do Minho, 3 USF Lethes

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