Ana Rita de Jesus Maria termina doutoramento centrado em perceções de profissionais e utentes acerca da telesaúde e telemedicina

A colega Ana Rita de Jesus Maria (médica de família na USF Dafundo e UCSP Alcântara, docente da Unidade Curricular de MGF na Nova Medical SchoolNMS – investigadora do Comprehensive Health Research Centre e membro da Comissão de Avaliação de Tecnologias da Saúde do Infarmed) é a mais recente doutorada com origem na MGF, após concluir com distinção e louvor as suas provas de doutoramento a 12 de junho, na NMS, com a apresentação da tese «Accounting for doctors’ and patients’ perceptions in telehealth services implementation».

No âmbito desta tese foi conduzida uma revisão sistemática para avaliar os efeitos de tecnologias móveis para apoiar a comunicação entre profissionais de saúde no seu desempenho, aceitabilidade e satisfação, uso de cuidados de saúde, resultados de saúde do doente, custos e dificuldades técnicas. Foi ainda conduzido um estudo de caso de implementação de teleconsultas entre cuidados de saúde primários (CSP) e cuidados de saúde secundários (CSS), com base em metodologia qualitativa. As entrevistas semiestruturadas com doentes e médicos foram transcritas, armazenadas, codificadas e analisadas seguindo os passos da análise de conteúdo convencional. Este tipo de estudo facilita a compreensão do fenómeno das teleconsultas que é dependente do contexto e influenciado pelas características do indivíduo. Os resultados sugeriram que, no contexto do nosso SNS, a telemedicina como ferramenta de educação médica contínua ajuda a consolidar equipas multidisciplinares que constroem um conhecimento partilhado para melhorar os resultados de saúde dos doentes e com potencial para alterar a prática clínica. É necessário suporte organizacional e financeiro para que esta nova prática colaborativa tenha sucesso.

O objetivo geral desta tese consistiu em explorar as perceções de doentes e médicos sobre o impacto das teleconsultas na prática clínica e na organização dos cuidados de um projeto piloto de telecardiologia interativa no Serviço Nacional de Saúde. Os objetivos específicos passaram por identificar os facilitadores e barreiras para a aceitação das teleconsultas, explorar as perceções dos participantes sobre a relação médico-doente e a colaboração interprofissional nos cuidados de saúde e avaliar os efeitos das tecnologias baseadas em dispositivos móveis em comparação com os cuidados habituais.

O júri das provas foi presidido por Jaime Branco (professor catedrático da Faculdade de Ciências Médicas | NMS) e integrou como vogais Ana Luísa Neves (diretora da Global Digital Health Unit – Imperial College London), Maria João Vidigal Ferreira (professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra), ambas arguentes, Sónia Dias (professora catedrática da Escola Nacional de Saúde Pública), Bruno Heleno (professor auxiliar da NMS) e Carlos Martins (investigador principal no CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde). A desempenhar a missão de orientadores estiveram Bruno Heleno (investigador do Comprehensive Health Research Centre da NMS e médico de família na ARSLVT), Lino Gonçalves (diretor do Serviço de Cardiologia no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra – Hospital Geral) e Helena Serra (diretora do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais – NOVA FCSH).

De acordo com Ana Rita de Jesus Maria, a decisão de enveredar pelo caminho árduo – mas compensador – de um doutoramento nasceu de uma apetência pessoal que foi crescendo nos últimos anos: “durante o meu internato em MGF desenvolvi interesse pelas atividades de investigação e ensino, num processo de procura de equilíbrio na gestão do tempo despendido nessas atividades e na prática clínica. Acredito que este crescimento foi impulsionado pela riqueza do contacto com os docentes da Unidade de Medicina Familiar da NOVA Medical School. Ser capaz de pesquisar e encontrar as respostas para as dúvidas do dia-a-dia, levou-me ao doutoramento. Este representou para mim um período de enorme crescimento pessoal e profissional, e chegando ao culminar desta etapa, espero continuar a compatibilizar a prática clínica com os meus interesses em investigação e projetos educacionais”.

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