Sétima edição do Encontro de MF do Algarve aborda novos temas que refletem a mudança dos tempos

O 7º Encontro de Médicos de Família (MF) do Algarve marcou a agenda formativa dos profissionais de saúde dos cuidados de saúde primários (CSP) neste mês de junho, reunindo em Vilamoura 140 participantes. De acordo com Daniela Emílio, delegada distrital da APMGF em Faro e membro da comissão organizadora, “o balanço da sétima edição do Encontro é, na sua globalidade, muito bom. A adesão foi próxima da registada no ano transato, as salas estiveram sempre bem preenchidas e os colegas muito participativos. Contámos com temas um pouco «fora da caixa», como o que deu origem à sessão sobre as pessoas LGBTQIAP+ ou a sessão sobre a saúde dos migrantes, na qual falámos de assuntos cada vez mais comuns na consulta dos MF, à medida que cuidam de um maior número de famílias de migrantes. Foi importante assistir a estas mesas, para obter ferramentas úteis e dar o melhor de nós a esta população”. Na perspetiva de Daniela Emílio, ações de formação como aquelas compreendidas no Encontro de MF do Algarve “continuam a ser importantíssimas para todos os colegas, sendo pena que muitas vezes tenhamos de recorrer ao nosso tempo pessoal para que aconteçam”.

Durante a abertura dos trabalhos, o presidente da APMGF explicou que “é muito importante conseguir manter a organização deste tipo de eventos” e que a Direção Nacional da APMGF “olha com grande satisfação para o trabalho das Delegações e dos Grupos de Estudos da Associação, que permitem dar continuidade à atividade formativa e aos momentos de encontro, partilha e convívio entre todos”.

Nuno Jacinto frisou a circunstância de os profissionais dos CSP viverem mais uma etapa de grande incerteza, “uma fase de aparente mudança em que não sabemos muito bem o que nos espera. Sabemos que muito de novo está a ser pensado, mas há grande dificuldade em obter certezas sobre o que está a ser planeado e será implementado no terreno, em particular a nível da organização do SNS, do desenvolvimento de novas unidades locais de saúde (ULS), sobre o nosso papel enquanto MF nas unidades funcionais, a transformação dos modelos remuneratórios, etc.”. O presidente da APMGF defende que a maioria dos profissionais ligados à MGF “ainda partilha da ideia de que os MF não têm a valorização e o respeito que merecem”, panorama que apenas irá mudar quando se consubstanciarem alterações de fundo, que passam pela “introdução de uma remuneração digna, pela existência de uma verdadeira carreira, boas condições de trabalho, instalações e sistemas de informação apropriados, garantias de flexibilidade na carga horária e autonomia, tudo o que reclamamos desde há muito tempo e tarda em ser resolvido”.

Espectro chamado ULS também assombra o Algarve

Para aqueles que ainda guardassem dúvidas em matéria de ULS e reorganização de serviços na região, o presidente da ARS do Algarve, Paulo Morgado, encarregou-se de as desfazer: “o sistema de saúde está em mudança, uma mudança que todos desejamos que seja tranquila (…) a criação da Direção Executiva do SNS foi um passo decisivo nesta transformação e o caminho para uma cada vez maior integração de cuidados é irreversível, está a acontecer ao longo do território e também chegará ao Algarve, é inevitável. A criação de uma ULS é um objetivo assumido e será uma realidade nos próximos tempos”.

A propósito da intenção da tutela em criar uma ULS no distrito mais a sul do país, a representante da APMGF no Algarve, Daniela Emílio, acredita que os MF locais aguardam pela definição do novo enquadramento com alguma inquietude: “esta mudança é algo que assusta os MF da região. E, de facto, nasce num momento inoportuno, quando estamos cada vez mais próximos de algo que funcione bem para a população, a atingir os rácios mínimos e a conseguir vigiar bem os diversos grupos, mesmo com excesso de utentes em lista”. A dirigente não tem dúvidas de que “a ULS será de difícil gestão numa fase inicial, com muitas cedências a terem de surgir de ambos os lados (hospitalar e CSP). Ora o nosso receio é que este período tenha um impacto negativo na saúde da nossa população. O que sentimos nesta fase é que muita gente no meio deste processo parece preocupada exclusivamente com a ida das pessoas à urgência, quando deveriam estar também preocupadas com a literacia em saúde, em ensinar as pessoas a utilizarem os serviços de saúde de forma consciente e adequada. Depois, quando falamos com a parte hospitalar, a ideia que nos transmitem é que estão à espera de poder ir buscar recursos aos centros de saúde para tapar buracos no hospital”.

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Joana Margarida Esteves Atabão1, Joana Glória2, Joana Capela3, Catarina Ferreira3, Inês Almeida3

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