Obesidade e excesso de peso infantil é um flagelo nacional, mas com particular impacto nos Açores

Durante o 21º Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família (ENIJMF), a Comissão de Internos de MGF dos Açores vai promover em colaboração com a APMGF a sessão «Obesidade Infantil». Os participantes do Encontro irão deparar-se, em primeiro lugar, com o panorama da obesidade infantil da Região Autónoma dos Açores e restante território português, que é uma realidade preocupante. Em segundo lugar, podem esperar da sessão algumas estratégias e ferramentas a aplicar na consulta para a identificação precoce, avaliação, seguimento e tratamento desta patologia na prática clínica e ainda estratégias para colmatar as comorbilidades e prevenir esta patologia.

Segundo Helena Pereira Sousa, interna de formação específica de MGF na Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM), “a prevalência de excesso de peso (incluindo obesidade) infantil em Portugal é de 29.6%, segundo o estudo de 2019 Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI), que apura a prevalência de excesso de peso infantil por regiões de Portugal. Os Açores são a região com maior prevalência de excesso de peso infantil, com 35.9%. Apesar de Portugal ter atingido a meta da Organização Mundial de Saúde em 2019 ao diminuir a prevalência do excesso de peso de 37.9%, em 2008, para 29.6%, é essencial não baixar a guarda e não esquecer o panorama geral. De facto, estes números apontam para assimetrias regionais e o aumento da prevalência desta patologia com a idade. A obesidade é então uma doença que preocupa os médicos de família (MF) da região autónoma dos Açores, não só por ter a prevalência mais elevada do país, mas também por estar associada a morte prematura e a um largo espectro de patologias de carácter crónico que diminuem a esperança de vida e a qualidade de vida, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e problemas osteoarticulares”.

Já Inês Nunes, interna de formação específica de MGF na Unidade de Saúde da Ilha Terceira (USIT), destaca o facto de existirem ainda lacunas “na formação dos especialistas na área. De facto, tem ocorrido uma maior consciencialização da dimensão do problema da obesidade infantil e comorbilidades associadas, porém ainda há poucas ferramentas para a prática clínica atual. Isto porque apenas recentemente têm surgido consensos e guidelines internacionais desta temática”. A médica interna sustenta que, de modo a prevenir e tratar a obesidade infantil, deve estar disponível “um apoio multidisciplinar, não só com nutricionistas a trabalhar lado a lado com os MF, mas também com psicólogos e técnicos do exercício físico. É, então, imprescindível aumentar o número de MF, nutricionistas e psicólogos, que se encontram em números insuficientes, e ainda incorporar técnicos de exercício físico nos CSP. A acrescentar a este trabalho de equipa, é necessário trabalhar em conjunto, seja com os municípios para a criação de parques para as crianças brincarem na rua, seja com as escolas na promoção da atividade física e alimentação saudável”.

No que respeita à circunstância do ENIJMF encontrar espaço para as diferentes estruturas que representam os internos de MGF levarem a cabo sessões formativas, com temas que realmente importam aos colegas em cada região, Helena Pereira Sousa considera que “este novo modelo de organização com as comissões de internos de todas as regiões do país aproxima as diferentes realidades nacionais e promove a discussão e resolução de problemas em conjunto, tentando uniformizar as práticas clínicas exercidas pelo país nos CSP. Para além disso, vincula uma relação mais unida entre internos e JMF com a APMGF”.

 

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