Acompanhamento do doente agudo não pode ser esquecido pela MGF

O 21º Encontro Nacional de Internos e Jovens MF vai ser palco da sessão «O Doente Agudo: que papel deve assumir a MGF», organizada em parceria com a Comissão de Internos de MGF do Algarve (CIMGFAL). Esta mesa-redonda terá lugar no dia 22 de setembro e de acordo com Filipa Lourenço, da CIMGFAL, pretende-se que seja “dinâmica e interativa, com momentos de reflexão sobre a alteração que se avizinha ao nível dos cuidados de saúde primários (CSP) em Portugal, com foco na necessidade de avaliação de maior número de casos de patologia aguda. Iremos ainda apresentar algumas dicas práticas sobre o uso apropriado do carrinho de emergência e dos fármacos armazenados no mesmo”.

A também representante da CIMGFAL Inês Costa recorda que a reforma dos CSP, embora fundamental para a reorganização das unidades e do trabalho dos especialistas de MGF, pecou em alguns aspetos que interferem de forma direta na gestão da doença aguda: “a reforma dos CSP proposta para melhorar a organização e qualidade na prestação de cuidados de saúde em Portugal apresenta algumas limitações. Um dos principais problemas apontados é a falta de recursos humanos, que leva a um atraso na prestação de cuidados de saúde não só primários, mas também secundários, incluindo os serviços de urgência. Face a estes problemas e ao atraso na marcação de consultas nos CSP e secundários, verificou-se um aumento de utentes que recorrem aos serviços de urgência para cuidados não urgentes. De forma a recuperar a resposta da prestação de cuidados para os níveis do período pré-pandémico torna-se necessário atrair mais profissionais para o sistema nacional de saúde, melhorar a coordenação e cooperação entre profissionais e melhorar as condições de trabalho, evitando erros e atrasos no tratamento dos pacientes”.

Já a sua colega da CIMGFAL, Adriana Correia, esclarece que “a região do Algarve representa uma realidade muito particular, com desafios notórios no acesso aos cuidados de saúde, quer por questões culturais, geográficas ou demográficas, mas também por se tratar de uma região cujo fluxo populacional varia significativamente durante o ano decorrente do turismo. Este último fenómeno resulta num triplicar da população, durante os meses quentes, sem qualquer reforço nos recursos a serem aplicados. Além disso, é importante reforçar a tendência de aumento da população residente no Algarve”. Para Adriana Correia, a escassez de recursos humanos e materiais é uma das principais problemáticas na prestação de cuidados, com frequentes encerramentos de serviços de urgência de pediatria e obstetrícia, com sérias repercussões para os utentes, tal como tem sido noticiado na comunicação social. Os internos de MGF e jovens MF têm-se deparado com algumas dificuldades, entre as quais, uma grande exigência na quantidade de cuidados a serem prestados, o que resulta num compromisso da qualidade destes e na formação do internato, paralelamente com um agravamento do cansaço e descontentamento dos profissionais de saúde”.

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