Laços entre arte, medicina e narrativa são fortes e podem ter influência positiva na melhoria da relação com o doente

A conferência inaugural do 21º Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família, que decorrerá em Ponte de Lima no final de setembro, será proferida pela médica de família Teresa Tomaz (USF do Minho, ACeS Cávado I – Braga) e intitular-se-á «Arte, Narrativa e Medicina». Abordará temáticas como a relação e utilidade do estudo de narrativas artísticas na Medicina (sobretudo no estabelecimento da comunicação empática e manutenção dos níveis de empatia ao longo do tempo), o uso da linguagem simbólica e metafórica na doença ou o estudo da arte para compreensão do passado e reflexão quanto ao futuro.

No entendimento de Teresa Tomaz é uma verdade indesmentível que a maioria dos seus colegas da MGF, fruto da pesada rotina que sobre eles se abate, pouco tempo tem para refletir sobre a importância da comunicação clínica ou o aproveitamento da arte e da literatura para melhor cuidar: “considero inegável a enorme pressão assistencial e outras múltiplas barreiras no estabelecimento de uma comunicação efetiva e na obtenção de satisfação, tanto para os profissionais de saúde, como para os utentes. Penso que a reflexão sobre estes temas nasce da necessidade crescente de aprendizagem, sendo que uma das vantagens da arte é a sua acessibilidade, quer através das redes de bibliotecas, museus e cinemas, passando pelos projetos que se desenvolvem dentro das próprias unidades de saúde familiar dispersas pelo país. Penso que já se fazem algumas coisas nesse sentido (Clube de Leitura da APMGF, por exemplo), mas poderá ser vantajoso refletir-se sobre estes assuntos no pós-graduado, tanto no internato médico como nos próprios ACeS, assim como através do estabelecimento de parcerias na comunidade”.

A conferencista gostaria que os participantes do 21º ENIJMF saíssem da sessão que protagonizará em Ponte de Lima com algumas mensagens chave gravadas na consciência: “o estudo de narrativas literárias na Medicina pode contribuir para a criação de programas pedagógicos, análise e discussão entre profissionais, incluindo no ensino médico. Sendo a Medicina Geral e Familiar a especialidade que, pela sua natureza, mais contacta com as histórias das pessoas e as trajetórias das suas vidas, parece importante o estudo da linguagem e das narrativas para que possamos compreender melhor o outro, as suas intenções, emoções, expectativas e crenças. Estabelecer e manter uma comunicação empática são desafios prementes, sendo o auto-conhecimento e autorreflexão do profissional essenciais para tal”.

 

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