Susana Silva Pinto conclui doutoramento com tese direcionada para o impacto do uso dos novos anticoagulantes orais na gestão da FA não‐valvular

A Medicina Geral e Familiar (MGF) conta com mais uma doutorada entre as suas fileiras, após Susana Silva Pinto (assistente de MGF na USF S. Tomé – ACeS Santo Tirso/Trofa, assistente convidada na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e membro do Grupo de Estudos de Doenças Cardiovasculares da APMGF) ter concluído no dia 20 com sucesso a sua prova de doutoramento na Aula Magna da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), com a tese subordinada ao título «The impact of new Oral Anticoagulants in the management of Non-Valvular Atrial Fibrillation: Real-World Data Analysis».

O júri da prova foi presidido por José Estevão da Costa (FMUP) e integrou ainda os arguentes Jaime Correia de Sousa (Escola de Medicina da Universidade do Minho) e José Pereira Prazeres (Universidade da Beira Interior). Participam ainda como elementos do júri Cristina da Costa Santos (FMUP), Sofia Baptista (FMUP) e Carlos Martins (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde – CINTESIS), igualmente orientador da tese. As coorientadoras da tese foram Andreia Teixeira e Teresa Sarmento Henriques (ambas da FMUP).

As principais conclusões da tese de doutoramento defendida por Susana Silva Pinto apontam para o facto de a prevalência de fibrilhação auricular (FA) ter vindo a aumentar nos últimos anos na região Norte de Portugal, encontrando-se também uma evidência de subtratamento (27%) e de sobretratamento (40,9%) da anticoagulação nos doentes com FA. A eficácia da anticoagulação em doentes com FA depende de fatores relacionados com o médico e com o doente: 26,5% dos doentes não têm uma prescrição de NOAC adequada e apenas 55,2% dos doentes aderem à terapêutica com anticoagulantes. Cerca de 10,2% dos doentes com FA medicados com um NOAC tiveram um evento trombótico. Para doentes com a mesma idade, género e CHA₂DS₂-VASc score, apixabano foi associado a maior odds de evento trombótico comparado com rivaroxabano, com significância estatística.

A tese pretendia determinar a prevalência de FA na região Norte de Portugal e avaliar como estão a ser tratados os doentes com FA, que anticoagulantes estão a ser prescritos e se estão a ser prescritos conforme recomendado. Em acréscimo, procurava determinar se o perfil de prescrição e a adesão à terapêutica com NOACs em doentes com FA são adequados e aferir a associação entre os NOACs e variáveis clínicas dos doentes com FA e a ocorrência de eventos trombóticos. Os resultados obtidos parecem realçar necessidades de formação médica pós-graduada na MGF no âmbito da anticoagulação na FA, quer em cursos de formação contínua, quer em sessões formativas em congressos, de forma a que os médicos de família atualizem os seus conhecimentos.

Segundo Susana Silva Pinto, a principal razão para seguir uma linha de investigação com dados do mundo real é o seu “fascínio pela investigação que reflete a prática clínica do médico de família. Desta forma, conseguimos avaliar o que está a acontecer, o seu impacto na saúde das populações e propor medidas de melhoria”.

Por outro lado, a doutorada acredita que “para além da aprendizagem da formulação de questões de investigação, da pesquisa bibliográfica, do planeamento das metodologias, da interpretação e discussão de resultados e da escrita de artigos científicos, o doutoramento proporciona a visão integrada das vertentes clínica e investigacional e desenvolve ferramentas para integrar equipas diferenciadas nos diversos contextos de ação e de ensino médico, articulando a MGF com especialidades hospitalares”.

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