Formação prática e útil em contexto de workshop caracteriza o início do 41º ENMGF

O primeiro dia do 41º Encontro Nacional de MGF foi integralmente dedicado aos workshops, que reuniram 270 participantes, divididos por 14 ações de formação distintas, focadas em temas clínicos e sócio-profissionais da máxima relevância para os médicos de família, em organizações a cargo dos Grupos de Estudos e do Departamento de Investigação da APMGF.

“Como sempre, a APMGF aposta na colaboração com os seus grupos de estudos para realizar estes workshops e por isso mesmo eles vão mesmo ao encontro daquilo que é produzido por estes grupos, abarcando desde a área da Saúde da Mulher, até à Saúde da Criança ou a Dor, por exemplo. É um painel muito alargado de temas, que consegue satisfazer os interesses e curiosidades dos colegas que participam”, explica Nina Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF e da Comissão Organizadora do Encontro Nacional.

A dirigente associativa acredita que ter um primeiro dia reservado a oficinas representa “a oportunidade de contar com uma formação mais prática, suportada em grupos pequenos de colegas, que podem interagir mais entre si e com os formadores e esclarecer dúvidas importantes durante a sua formação profissional contínua”.

Um dos workshops em destaque desenvolveu-se em torno dos primeiros socorros psicológicos e das maneiras mais acertadas de atuar em urgências psíquicas e emocionais em MGF, numa iniciativa promovida pelo Grupo de Estudos de Saúde (GESM) da APMGF. Márcio Pereira, médico interno de MGF na USF Gilão (ULS Algarve) e colaborador do GESM, sublinha a circunstância de “hoje em dia a perspetiva face à Saúde Mental ser ainda sobretudo curativa. Ora atuando sempre na esfera preventiva, é importante os médicos de família terem uma ferramenta que permita identificar – em cenários de potencial risco e trauma – sinais que conduzam a uma intervenção capaz de evitar psicopatologia futura”. Para Márcio Pereira, torna-se evidente que a aposta neste tipo de abordagens nos CSP e na MGF pode mesmo ajudar a reduzir os índices nacionais de prescrição de benzodiazepinas: “estas são estratégias que nos permitem lidar com reações de stress sem introduzir logo psicofármacos, Face ao número de pessoas com quem os médicos de família tomam contacto, esta metodologia pode tocar muitas vidas, algo que por vezes está vedado a profissionais da Saúde Mental, como psiquiatras e psicólogos, devido às dificuldades que têm na resposta em tempo útil e na referenciação”.

Outra proposta formativa muito bem recebida foi o workshop sobre abordagem ao sono das crianças em MGF, desenvolvido pelo Grupo de Estudos de Saúde Infantil e Juvenil (GESIJ). Ângela Neves, médica de família na USF Araceti e coordenadora do GESIJ, considera que é importante dizer aos pais “que o sono tem muitas variantes do normal que não os devem preocupar, ao contrário de outro tipo de situações que merecem, essas sim, atenção, por se tratarem de patologias”. A coordenadora do GESIJ reconhece que este um assunto que transmite muita ansiedade aos pais e que desencadeia por vezes “interferências na relação entre pais e filhos”. Por outro lado, uma parcela significativa dos pais procura ajuda médica para resolver uma questão que os aflige no que respeita ao sono e higiene do sono dos seus filhos, em particular fenómenos que lhes parecem desadequados, como a criança acordar de modo recorrente, verificando-se depois, quando os profissionais “realizam exames e investigam que existem outras situações bem mais preocupantes por detrás destes apreensões, como apneia do sono, hipertrofia amigdalina ou refluxo”.

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