APMGF recorda que subida de número de utentes sem MF atribuído era inevitável

Na sequência de notícia divulgada pelo jornal Público, segundo a qual o número de cidadãos inscritos no Registo Nacional de Utente (RNU) voltou a aumentar em abril, invertendo a tendência de descida dos últimos meses concretizada através da limpeza de ficheiros dos centros de saúde, facto que contribuiu de forma direta para o aumento também do número de utentes sem médico de família (MF) atribuído, os dirigentes da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) revelaram a vários órgãos de comunicação social que esta é uma realidade incontornável e que apenas pode ser transformada com mudanças estruturais.

Nuno Jacinto (presidente da APMGF), explicou aos microfones da Rádio Renascença que os utentes sem médico que tinham sido apagados dos sistemas informáticos por não atualizarem os dados estão a regressar aos centros de saúde e a acentuar de nova esta estatística negra que caracteriza o país. “Esses utentes não desaparecerem, regressaram às suas unidades, voltaram a pedir consultas. Ou seja, continuam sem médico atribuído, mas precisam de cuidados e continuam a ter necessidade de ser acompanhados”, garantiu.

À SIC Notícias, Nuno Jacinto reiterou que assistimos a “uma limpeza artificial”, que agora é contrariada por um movimento natural de retorno: “Quando olhamos para os números de abril de 2023, encontramos 10 milhões e seiscentos mil inscritos, coisa menos coisa. Agora, encontramos 10 milhões 350 mil. Será que desapareceram 250 mil utentes em Portugal? Claro que não! Esta mudança está relacionada como este movimento de limpar, entre aspas, utentes que não deveriam estar a ser eliminados”.

Já António Luz Pereira, vice-presidente da APMGF, avançou na TVI algumas das principais razões pelas quais ainda não é possível dar cobertura total à população, com destaque para as más condições de trabalho existentes hoje para os MF, que não facilitam a fixação de profissionais: “infelizmente eles acabam por optar por sair para o estrangeiro, para o privado, porque as condições no SNS não são suficientes para se manterem, quer as condições remuneratórias, quer o tamanho das listas de utentes ou o número de horas que trabalham”.

 

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