Posição da APMGF e sua Delegação Distrital de Coimbra sobre Serviço de Atendimento Complementar de Coimbra (SACC)

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), atenta às suas funções de Sociedade Científica e de garantia do exercício da Medicina Geral e Familiar (MGF), não pode deixar de tomar posição quanto ao recentemente apresentado Serviço de Atendimento Complementar de Coimbra (SACC), a funcionar aos fins-de-semana no Centro de Saúde de Fernão de Magalhães, com equipa de saúde constituída por um médico de MGF, um profissional de enfermagem e um assistente técnico.

Tal Atendimento Complementar, existente em outros concelhos com Centro de Saúde único na área da ULS de Coimbra, tem a complexidade de lidar com 15 Unidades de Saúde de MGF, sendo que é na área do Concelho de Coimbra que existe o Serviço de Urgência Hospitalar da ULS Coimbra.

De acordo com a Definição Europeia de MGF, adotada para Portugal pela APMGF, cabe aos médicos de MGF a resolução atempada e com eficiência de problemas agudos, bem como a gestão dos problemas individuais crónicos. Segundo a organização estrutural, os médicos de MGF trabalham ou em Unidade de Saúde Familiar Modelo B (USF-B), ou em Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP).

A APMGF e a sua Delegação de Coimbra tomaram conhecimento da posição tomada pelas 15 USF-B e UCSP do Concelho de Coimbra, que levantam problemas que advirão do seu funcionamento sem regras bem definidas e propõem que o serviço seja integralmente gerido pela ULS, até na gestão das equipas. E tomaram também conhecimento do teor das propostas do grupo de trabalho nomeado pelo CD da ULS de Coimbra quanto ao que deve ser feito para a gestão da consulta aguda. É agora preciso evitar a sobrecarga dos já assoberbados médicos da carreira médica de MGF. Tal trabalho de resposta à doença aguda deverá ser realizado, o mais possível durante a semana, pelas USF-B e pelas UCSP, na sua população inscrita.

Um SACC dotado de condições de estrutura e processo para trabalho alternativo ou supletivo ao do serviço de urgências em Hospital Central, para os casos triados em azul ou verde e para os encaminhados pela linha SNS24, de acordo com uma muito bem orientada e rigorosa triagem e só para estes, sendo sabida a carga de trabalho existente e por ordenação da chegada, pode ser algo de valia para a população. Dotação de alguns exames de química simples urinária e de despistagem de doenças infeciosas (Strept A test e Multiplex) são essenciais. A tipologia de situações a atender deve estar bem tipificada e ser do conhecimento da Linha SNS 24, devendo o seu regulamento estar previamente publicado e difundido.

Importa informar a população de que os Médicos de Família, os médicos de MGF, além do trabalho normal de vigiar os doentes crónicos e de manter vigilâncias em Programas de Saúde Específicos, devem atender pessoas que marcam consulta por sua livre iniciativa e de atender a “doença do dia”, que muitos teimam em chamar de “urgência”. E têm ainda que responder diariamente a uma elevada quantidade de correios eletrónicos e de telefonemas de pessoas que seguem na sua lista.

A APMGF e a sua Delegação de Coimbra aguardam a publicação das propostas do Grupo de Trabalho de resposta a Doença Aguda, sabendo-se em que dias e horas se situaram os picos de afluência ao Serviço de Urgência da ULS de Coimbra em 2023. O acompanhamento deste serviço que agora se pretende implementar deve ser apertado e de periodicidade estreita.

Este tipo de serviço existiu em Coimbra entre 2003 e 2005, tendo sido extinto por não ter conseguido redução de procura da urgência hospitalar por parte dos moradores do Concelho de Coimbra.

 

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