Jornadas de Évora continuam a demonstrar maturidade e energia da MGF no Alentejo

Realizou-se entre 12 e 13 de fevereiro a 35ª edição das Jornadas de Medicina Geral e Familiar (MGF) de Évora, iniciativa organizada com grande empenho e sucesso ao longo das últimas décadas pela Delegação Distrital de Évora da APMGF. Este ano, o evento juntou cerca de 100 participantes no Évora Hotel, para dois dias de aprendizagem e partilha de experiências interpares.

Na abertura dos trabalhos, o presidente da Direção Nacional da MGF e médico de família na região de Évora, Nuno Jacinto, sublinhou que estas jornadas “são a prova viva da força e a importância da nossa Associação” e que “a força e a dimensão da APMGF vivem muito das suas delegações e grupos de estudos. São elas e eles que tornam a nossa Associação próxima de cada um de nós. Estes momentos de formação, de partilha, mas também de convívio, são essenciais para a nossa prática e para o nosso crescimento enquanto médicos de família. É também assim, com eventos como este, que valorizamos e respeitamos a MGF”. O dirigente associativo lembrou que “por vezes, a nossa especialidade fica um bocadinho esquecida” e que pese embora as palavras bonitas endereçadas por alguns líderes aos cuidados de saúde primários (CSP), na prática esta área de prestação de cuidados de saúde em Portugal e os seus profissionais vivem diariamente com muitos desafios e limitações.

“Mas a APMGF continua – e continuará – sempre, a defender a necessidade de valorizarmos e respeitarmos os CSP. E esta questão da valorização e do respeito não é despiciente… são palavras-chave para nós e que tanta falta fazem a todos os níveis da nossa atividade. Valorização e respeito pelo que fizemos, fazemos e faremos em cada consulta, valorização e respeito pela dedicação e empenho que colocamos em cada tarefa, pela congregação e capacidade de trabalho que demonstramos em cada momento. Valorização e respeito também pela coragem que possuímos mesmo quando alguns nos chamam cobardes, pela entrega que demonstramos quando nos acusam de falta de resiliência e pela superação constante que nos faz ser tão bons ou melhores do que o Ronaldo, mesmo que nunca alcancemos o mesmo reconhecimento por parte de quem o devia demonstrar”, acrescentou Nuno Jacinto.

Na ótica do dirigente, é mais do que tempo de “dignificar a MGF, melhorar a qualidade do seu exercício e promover o desenvolvimento profissional de todos os médicos de família, internos ou especialistas. E assim melhoraremos os cuidados que prestamos aos nossos cidadãos. Queremos todos construir uma MGF ainda melhor, em que todos se revejam e que se assuma como um verdadeiro pilar dos sistemas de saúde (…) Isto não pode ser só algo escrito no programa de governo, algo escrito numa frase feita, tem que ser algo consequente!”.

Já o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central, Carlos Mateus Gomes, aproveitou a ocasião para trazer novidades sobre a entrada em atividade do novo Hospital Central do Alentejo e uma importante filosofia que marcará o seu funcionamento: “com a desospitalização pretendida, é importante trabalhar os doentes a montante, tarefa para a qual contamos, obviamente, com os profissionais dos CSP presentes nestas jornadas”.

Sobre o processo de construção da nova unidade hospitalar, crítica para a melhoria da assistência sanitária na região, Carlos Mateus Gomes frisou que “neste momento a taxa de conclusão da obra situa-se nos 75%. Os concursos para os equipamentos pesados estão praticamente concluídos e, em junho, deverá estar pronto o projeto de consolidação dos CSP e cuidados de saúde hospitalar, algo de muito importante para o futuro”.

Temáticas centrais para a eficácia diária do MF

Segundo Helena Gonçalves, membro da Comissão Organizadora das jornadas e delegada distrital da APMGF em Évora, este ano o evento conseguiu alcançar um excelente equilíbrio entre as mesas sócio-profissionais ou ligadas à estruturação do sistema de saúde e aquelas vocacionadas para temas puramente clínicos: “planeamos sempre temas clínicos que achamos serem pertinentes e que nascem muito das dúvidas que nós próprios, membros da Comissão Organizadora, temos quando nos reunimos. Já no contexto dos assuntos não clínicos, pensámos aqui em duas dimensões que não são muito abordadas, mas que se apresentam como extremamente relevantes. Por um lado, a questão da parentalidade e alienação parental (o que significa para nós e que papel e intervenção podemos ter, enquanto médicos de família). Este é um tema que surge por vezes na consulta de uma forma subtil. Contudo está presente e é importante que nós, médicos de família, consigamos perceber quando a situação é uma realidade e que saibamos identificá-la. Para além disto, há mais coisas que podemos fazer mas nem sempre sabemos o quê, exatamente. Assim, tivemos a possibilidade de ouvir na conferência de encerramento o juiz Joaquim Manuel Silva, o qual nos lembrou que nenhum pai ou mãe aprendeu a sê-lo antes do nascimento dos seus filhos, a importância do amor conjugal e do crescimento do amor parental. Por outro lado, abordamos também as repercussões éticas e legais associadas à forma como tratamos os processos e acedemos à informação clínica dos utentes, numa discussão que surge sempre envolta em polémica e dúvidas e para a qual contámos com os preciosos esclarecimentos da jurista Carla Barbosa”.

Na dimensão clínica, Helena Gonçalves começa por destacar a sessão centrada nas patologias oftalmológicas em crianças: “foi extremamente útil porque se falou um bocadinho daquilo que são os episódios em contexto de urgência, mas também das outras situações para as quais é importante nós estarmos atentos e que fazem parte da nossa atividade de vigilância”. Realce, ainda, para a mesa sobre tonturas, vertigens e acufenos, um problema muito recorrente na consulta de MGF. As duas sessões “cativaram pelo modo prático de abordar estas patologias”, refere a delegada distrital da APMGF em Évora. Nota, também, para a mesa relacionada com a gestão da obesidade, na qual se debateram “as novas terapêuticas que têm surgido e as normas orientadoras no uso das mesmas. A especialidade de MGF é uma daquelas que pode fazer a prescrição destes medicamentos e é importante termos a noção de quando prescrever e quais são as melhores indicações. Até porque existe alguma fiscalização neste domínio. Conseguimos obter um visão global sobre as possibilidades terapêuticas disponíveis, refletir sobre resultados e prevenção de complicações versus custos”.

Prémios

Comunicações Orais – Relato Prática

«Programação estratégica e alocação de recursos em cuidados de saúde primários rurais: o caso da USF AlenBeja»

Ricardo Albuquerque¹, Ana Lucas¹, Sílvia Duarte¹, Sara Veiga¹, Daniela Costa¹

(¹ Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo)      

Posters – Relato de Caso

«Lombalgia e Ciatalgia, nem sempre associadas – Um caso de Ciatalgia associada a compressão periférica do nervo ciático»

Diogo Grenho Pereira¹, Filipe Cóias¹, Fernando Costa¹, Rita Fernandes¹, Vanessa Horta¹

(¹ USF Eborae – ULS Alentejo Central)

 

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