Reflexões urbanas sob a luz de Molder e Luís Campos a 9 de abril na sede da APMGF

Integrada no ciclo de sessões de debate intitulado «Para além da Medicina: ao encontro das humanidades», criado pela APMGF com o intuito de promover encontros/fóruns interdisciplinares entre profissionais da área da medicina e saúde e personalidades das ciências sociais e humanas, vai decorrer no dia 9 de abril, pelas 17h00, no auditório da sede da APMGF, em Lisboa, a sessão «Um homem na cidade». A entrada é livre.

Será moderada por Armando Brito de Sá (especialista em MGF e ex-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa) e contará com as participações de Luís Campos (Coordenador da Medicina Interna da Clínica CUF Belém, presidente do Conselho Português para a Saúde e Ambiente e um médico com particular propensão para as artes) e Maria Filomena Molder (filósofa e professora catedrática emérita da Universidade Nova de Lisboa, autora de vários artigos sobre problemas de estética, no domínio do conhecimento e linguagem).

A cidade, organismo pulsátil e complexo, molda e é moldada pelos seus habitantes. A figura do homem, imerso nesse labirinto de betão e metal, é tema recorrente na arte e na reflexão filosófica. A filosofia da experiência de Maria Filomena Molder convida-nos a uma imersão profunda na vida urbana; a intervenção artística de Luís Campos revela a alma das cidades e a relação do homem com o seu enquadramento.

Molder, com sua filosofia da experiência, incita-nos a uma vivência plena e consciente da cidade. Para ela, a experiência não se limita à mera perceção sensorial, implicando uma interação profunda com o mundo, uma busca de significado e um constante processo de construção de si mesmo. Ao caminhar pelas ruas, ao observar as fachadas dos edifícios, ao interagir com outros indivíduos, vivenciamos, segundo a filósofa, a cidade na sua plenitude.

As obras de Luís Campos, médico e artista, convidam-nos a uma reflexão estética e social sobre a cidade. Através de suas intervenções, Campos revela a história e a memória das cidades, desvelando camadas ocultas sob a superfície. Nos seus trabalhos, ao mesmo tempo que se assinala a efemeridade e a precariedade da existência humana, celebra-se a sua resiliência e a sua capacidade de transformação. A partir de uma perspetiva inevitavelmente médica, Campos explora ainda a relação entre o corpo humano e o espaço urbano, evidenciando as marcas que a cidade deixa nos nossos corpos, com a sugestão implícita do que a cidade nos transforma no plano espiritual.

A junção dessas duas perspetivas – a filosofia da experiência de Molder e a arte de Luís Campos – permite a construção de uma visão mais complexa e abrangente da experiência urbana. O homem na cidade, segundo essa perspetiva, é um ser em constante transformação, marcado pelas suas experiências e pelas suas relações com o espaço urbano. As intervenções artísticas de Campos, ao revelarem a alma das cidades e a relação do homem com o seu enquadramento, convidam-nos a uma reflexão crítica sobre o nosso papel no mundo como seres em permanente mutação e em si mesmo motores de transformação.

A cidade, nesse contexto, não é apenas um cenário, mas um ator ativo na construção da nossa identidade. Ao caminhar pelas ruas, ao observar os seus contornos arquitetónicos e as suas paisagens artificiais, ao interagir com outros indivíduos, somos, de alguma forma, co-criadores da cidade. A filosofia da experiência ensina-nos que a vida urbana é uma oportunidade para o crescimento pessoal e para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.

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