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Por que necessitamos de uma nova




                                                                                                                ponderação?







                                                                                  Gonçalo Envia
                                                                                  Médico de Família



                 os últimos anos, tendo em   utentes  inscritos  nas  unidades  de   unidade de saúde. A nível nacional,   nível nacional são diversos e com idio-
                 conta as carências do país   saúde  do  continente,  sendo  que   as Unidades de Cuidados de Saúde   ssincrasias próprias que influenciam a
          Nao nível de médicos de fa-        destes, 858.111 (8,52% do total) não   Personalizados  (UCSP)  apresentam   prática clínica diária do MF.
        mília (MF), ouvimos por múltiplas ve-  tinham MF atribuído. Este número de-  maior média de UP por utente que   Prevê-se  um  novo  pico  de  aposen-
        zes  a  retórica  sobre  a  necessidade   ve-se  essencialmente  aos  657.936   as Unidades de Saúde Familiar (USF)   tações  que  irá  ocorrer  entre  2020
        de formação de mais MF para suprir   utentes sem MF na ARS de Lisboa e    modelos A e B (1,36 vs. 1,31 e 1,29),   e  2022.  Nestes  três  anos  poderão
        essas mesmas falhas. Mas será que    Vale do Tejo (LVT) – 77% do total do   com  a  ARS  Alentejo  a  apresentar   aposentar-se mais do dobro dos MF
        a questão se mantém atualmente?      continente de utentes sem MF e cor-  um  valor  mais  expressivo  (1,40  UP   do que no triénio 2017-2019 (1452 vs.
        A  população  portuguesa  residen-   respondente a 17,9% da população     por utente) denotando a maior con-  660 MF) e até 2026 esperam-se 2895
        te  tem  sofrido  pequenas  variações   inscrita nesta região). Num segundo   centração de utentes idosos nessas   aposentações.
        nos últimos anos e desde 2010 tem    posto, e apesar de menos expressivo   unidades, sendo o valor de UP mé-  Estes  números  poderiam  ser  vistos
        vindo  a  decrescer  com  variação   em número absoluto mas relevante     dio  por  utente  mais  baixo  nas  USF   com preocupação por um potencial
        média  anual  de  0,41%,  fixando-se   percentualmente,  situa-se  a  região   modelo B com 1,25.             agravamento  de  todos  os  números
        no final de 2015 num total nacional   do Algarve com 76.072 utentes, cor-  Analisando as dimensões médias das   mencionados  previamente.  No  en-
        de 10.341.330 residentes, dos quais   respondente a 16,9% dos inscritos. As   listas por número de utentes, a situa-  tanto, as atuais necessidades de 494
        9.839.140 no continente. No entan-   restantes ARS (Norte, Centro e Alen-  ção  inverte-se,  com  a  das  USF  mo-  MF  serão  supridas  até  2019  com  a
        to,  apesar  desta  variação  nacional   tejo) apresentam, neste  momento,   delo B superior em 15,5% à das UCSP   atual definição das listas de utentes
        negativa,  na Área Metropolitana     uma cobertura quase total, com       (1811  e  1531  utentes  respetivamen-  e  tendo  em  conta  o  aumento  do
        de Lisboa e no Algarve, a popu-      98%, 97,9% e 97,5% de utentes        te),  diferença  esta  menos  evidente   número  de  internos  em  formação
        lação residente aumentou 5% e        com MF, respetivamente.              (10,9%) quando comparados os va-    (1313 até ao final do ano de 2019 e
        10,2%, respetivamente, de 2001 a     Contextualizada a situação atual re-  lores de UP médias entre essas unida-  cerca de 4500 até 2026, mantendo-
        2015,  verificando-se  também  um    lativa aos utentes sem médico, é ful-  des (2329 vs. 2075).              -se  o  número  de  vagas  disponíveis
        aumento de 3,4% da população         cral integrar estes números com a di-  Contudo, a assimetria entre regiões é   para  a  especialidade  de  MGF  nos
        na Região Autónoma da Madeira.       mensão atual das listas. As unidades   evidente, sendo as ARS LVT e Algarve as   próximos anos).
        Estas variações tornam-se relevantes   ponderadas  (UP)  por  idade  vieram   mais sobrecarregadas, com listas su-  Esta  conjuntura  cria  uma  oportuni-
        para  se  compreender  a  evolução   tornar mais clara a dimensão da lista   periores à média nacional, em núme-  dade ideal para a redefinição das
        do número de inscritos nas unidades   de utentes, tendo em conta as dife-  ro de utentes e UP, em todos os tipos   dimensões das listas de utentes
        de saúde a nível nacional. Segundo   renças regionais e o envelhecimento   de unidades de saúde. É por isto per-  e  respetiva  métrica  nos  próximos
        dados do Ministério da Saúde, a 31   da população, sendo notória a assi-  cetível que os contextos de exercício   anos,  de  uma  forma  progressiva  e
        de maio de 2017, havia 10.067.305    metria de UP em função do tipo de    da Medicina Geral e Familiar (MGF) a   sustentável.
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        Suplemento do “Jornal Médico de Família”
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