Estágio Hippokrates na Suécia – Relato de Experiência de Filipa Gonçalves Dias

Durante as duas últimas semanas de novembro de 2025 tive a oportunidade de participar num “Hippokrates Exchange”, em Skene, uma pequena cidade na região sueca de Västra Götaland. Acompanhei o Dr. Adebayo Sanusi, especialista em Medicina Geral (Allmänmedicin), no Centro de Saúde de Skene (Närhälsan Skene Vårdcentral), uma unidade integrada num complexo hospitalar maior, com diferentes especialidades e um centro de dia para famílias.

Este intercâmbio ofereceu-me uma janela privilegiada sobre o ambiente de trabalho de um serviço de saúde de Medicina Geral e Familiar distinto, dentro da Europa, e da organização da sua equipa na prestação de cuidados. Ainda, possibilitou-me conhecer colegas da mesma área da medicina num contexto totalmente diferente e absorver as suas experiências e conhecimentos. Além de aprender sobre estruturas organizacionais e abordagens clínicas, pude refletir sobre valores culturais, identidade profissional e o significado de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e o conceito de “fika

Pessoalmente, o aspeto mais marcante da cultura de trabalho sueca foi o “fika”, uma tradição nacional muito apreciada e respeitada – um tempo de pausa para socializar, relaxar e estar em conjunto, geralmente em torno de uma bebida quente e um doce. Em Skene, este materializa-se num intervalo programado de 30 minutos, duas vezes por dia, integrado nos horários de toda a equipa (e se o profissional não estiver presente, pode acontecer que o chefe o vá chamar ao seu consultório – “Este tempo também te é pago, para parares e estares connosco”, poderia dizer). Longe de ser uma pausa casual para café, o “fika” funciona como um tempo seguro para comunicação, conversa informal e descompressão. Vinda de Portugal, onde as pausas são, muitas vezes, desvalorizadas (e onde, pessoalmente, até mesmo ir à casa-de-banho pode ser um luxo), fiquei surpreendida com o quanto esta prática simples pode fortalecer a equipa e contribuir para um melhor cuidado ao utente. Passei a maior parte deste tempo na companhia de uma das psicólogas mais antigas do serviço, a trabalhar em Skene desde há cerca de 20 anos, e que me relevava a importância e os benefícios do “fika” e a união que fomenta, tanto para os membros da equipa quanto, indiretamente, para os utentes (“Se descurares a tua pausa, isso não é um ato de heroísmo – é pior para os teus utentes. Precisas de chegar até eles inteira, plena”). Essa ideia mudou profundamente a minha perspetiva e é algo que espero implementar no meu ambiente de trabalho de origem.

Organização do cuidado e estrutura da equipa

O Centro de Saúde de Skene opera com uma ampla gama de profissionais: 9 a 10 médicos (5 a 6 especialistas, 3 internos de medicina geral, 1 médico sem especialidade); 12-13 enfermeiras, alguns com funções especializadas (por exemplo, pediatria, diabetes, asma/DPOC); 4 auxiliares de enfermagem; 1 podologista; 1 técnico de laboratório; 3 psicólogos e 1 “técnico” de saúde mental e 2 secretárias. O ambiente multidisciplinar parece criar uma distribuição eficiente de responsabilidades.

As enfermeiras realizam triagem por telefone e agendamento de consultas, seguimento de doenças crónicas, educação para a saúde, procedimentos como introdução de pessários, tratamento de feridas e limpeza de canais auditivos, vigilância de saúde infantil, controlo de asma/DPOC, entre outras tantas tarefas bem distribuídas.

Os médicos realizam consultas gerais programadas, acompanhamento e controlo anual (idealmente) de doenças crónicas, vigilância de saúde infantil nas idades-chave (1 dos especialistas é responsável por esta parte), cuidados de geriatria e visitas domiciliares (3 dos especialistas designados para esta função), atendimento de urgência (geralmente durante 1 período de manhã ou tarde na semana), consultas telefónicas e trabalho administrativo (prescrições, avaliação de exames, encaminhamentos, entre outros). A duração das consultas é de 30 minutos se consulta programada, 20 minutos se consulta urgente e 15 minutos se consulta telefónica. Geralmente, no Skene Vårdcentral, os médicos consultam presencialmente 5 utentes de manhã e 5 à tarde, exceto no período de consultas urgentes na área para o efeito – onde dividem os atendimentos com as enfermeiras e podem atender um maior número, conforme a afluência. O restante tempo é reservado para trabalho administrativo, consultas telefónicas e, claro, para os momentos de “fika”. Os registos das consultas são ditados por aplicações de transcrição por Inteligência Artificial (IA) ou gravados para que as secretárias transcrevam.

A equipa de saúde mental atende todo o tipo de utentes e realiza diferentes técnicas de psicoterapia, podendo os psicólogos encaminhar diretamente para a psiquiatria se necessário. As enfermeiras podem também agendar consultas diretamente para esta equipa, sem que seja necessário passar por uma avaliação médica previamente.

Todas as semanas há uma reunião de cada uma das equipas profissionais para discussão de casos e outros aspetos relacionados com o trabalho e, uma vez por mês, há reunião com toda a equipa. O ambiente sente-se calmo e eficiente, com forte ênfase na acessibilidade, responsabilidade partilhada e colaboração interprofissional.

Comparação com meu sistema de origem (Portugal)

O que a Suécia faz particularmente bem:

> Proteção de alto custo para cuidados de saúde e medicamentos: A Suécia limita os custos totais que os utentes podem pagar anualmente, tanto por consultas quanto por medicamentos. Este sistema protege os mais vulneráveis, aqueles que precisam de atendimentos frequentes e tratamentos longos e dispendiosos. Por um lado, as taxas de consulta podem desencorajar algumas pessoas de baixos rendimentos a procurar atendimento precocemente; por outro, ajudam a regular a demanda e a evitar contactos indiretos excessivos. É um equilíbrio que parece funcionar bem dentro do contexto sueco.

> Acessibilidade a tradutores: O acesso aos serviços de intérpretes é simples e incentivado, garantindo equidade para migrantes e utentes que não falam sueco – uma área que ainda necessita de melhoria na implementação rotineira nos centros de saúde portugueses. Os intérpretes geralmente estão disponíveis por telefone, sendo as marcações realizadas em simultâneo com o agendamento da consulta. Flyers e outra informação para o utente estão expostos e disponibilizados em múltiplas línguas.

> Tempos de espera menores para consultas: Em Skene, os utentes conseguem ser atendidos por um médico de família em poucas semanas, geralmente menos de um mês. Embora isso possa comprometer a continuidade de cuidados, já que os utentes podem ser atendidos por qualquer médico (apesar de isto poder não acontecer noutros centros de saúde, em Skene os médicos não têm uma lista pessoal de utentes, sendo, por isso, geralmente agendados para a seguinte vaga disponível), a acessibilidade é excelente em comparação com a generalidade das unidades portuguesas, onde as listas de espera podem estender-se por vários meses.

> Acesso mais rápido aos cuidados de saúde secundários: Os tempos de espera são geralmente inferiores a 3 meses para qualquer especialidade e, se houver suspeita de algo maligno ou mais urgente, as investigações avançam rapidamente. Acredito que esta capacidade de resposta beneficiará em muito os outcomes de saúde.

> Gravidez e saúde da mulher: Na Suécia, a vigilância da gravidez é liderada quase inteiramente por enfermeiros, que atuam de forma bastante autónoma, envolvendo médicos apenas em casos mais complexos ou quando surgem complicações. A vigilância pré-natal é estruturada, padronizada e muito acessível, em clínicas pré-natais. Nessas clínicas, é também disponibilizado o rastreio de cancro do colo do útero. O facto de existirem clínicas especializadas nestas áreas de cuidado permite fácil acesso e reduz a carga de trabalho dos cuidados de saúde primários (CSP).

> Programas de rastreio: A Suécia oferece rastreios populacionais com base na idade, como mamografia e rastreio de cancro do colo do útero, embora as metas e taxas de adesão ainda sejam consideradas áreas a melhorar. Ainda assim, a organização e comunicação dos convites parece simples e prática – por exemplo, o autoteste para rastreio de cancro de colo do útero é enviado para as mulheres em muitas regiões e oferecido como uma alternativa igualmente eficaz à realizada por profissionais de saúde.

> Autonomia e papel central dos enfermeiros: Um ponto muito positivo é a alta independência dos enfermeiros. São responsáveis pela triagem por telefone e observação de consultas urgentes, em paralelo com os médicos, discutindo o plano com eles sempre que necessário. A vigilância de doenças crónicas é partilhada e, na saúde infantil, são os enfermeiros que conduzem a maioria das consultas de rotina. Isso torna o sistema muito menos “médico-cêntrico”, distribui a carga de trabalho de forma mais equilibrada e aumenta a acessibilidade e a eficiência.

> Diversidade da equipa e forte presença da saúde mental: A presença de psicólogos e enfermeiros altamente especializados nos CSP permite intervenções precoces e um acompanhamento integral e abrangente. Os psicólogos são membros-padrão da força de trabalho, presentes em todos os centros de saúde – algo que me agradou profundamente e gostaria que fosse universal. O cuidado com a saúde mental torna-se acessível, normalizado e integrado.

> Um compromisso cultural com o bem-estar da equipa: Desde o “fika”, um mecanismo de segurança contra burnout e isolamento, até cargas de trabalho diárias bastante razoáveis, os CSP suecos reforçam um modelo de saúde que valoriza a sustentabilidade e o respeito pelos limites pessoais.

> Programa de formação específica estruturado e individualizado: O internato de Allmänmedicin tem duração de 5 anos, baseia-se em rotações a nível hospitalar e nos CSP, iniciando-se com uma pré-avaliação e elaboração de um plano individualizado antes da assinatura do contrato. No âmbito da avaliação, são realizados relatórios e avaliações anuais junto do coordenador, bem como uma avaliação de dia inteiro a meio do tempo de internato para definir a data de término do programa e ajustes necessários, caso se conclua faltar formação em alguma área. O horário inclui tempo dedicado ao estudo (4 horas por semana), dias de internato regional uma vez por mês e apoio para visitas de estudo em grupo, no horário designado para reuniões de grupos de internos (habitualmente duas vezes por mês). Durante os 5 anos, os internos seguem o seu plano individual, que é inserido numa plataforma chamada “ST-Forum”, onde possuem um perfil com toda a sua evolução, cursos, estágios e trabalhos realizados durante os 5 anos, com os respetivos certificados automaticamente anexados; no final, podem imprimir em formato de currículo, gerado automaticamente, que será assinado e usado como prova final da conclusão do programa de internato. Pareceu-me um programa muito organizado, personalizado e centrado no crescimento profissional e na autonomia progressiva.

> Licença parental acessível e proteções sociais: Na Suécia, os pais têm 480 dias de licença parental, dos quais 90 são obrigatórios para cada um dos pais, e os outros 300 podem ser divididos entre ambos. Os locais de trabalho veem a licença parental como uma parte normal e respeitada da vida profissional, tanto para mulheres quanto para homens, para que os funcionários possam dedicar este tempo valioso às suas famílias, sem pressas e sem enfrentar repercussões negativas no regresso. Estas medidas incentivam a parentalidade, reconhecem-na como uma responsabilidade social partilhada e garantem a equidade de género.

> Flexibilidade nos contratos de trabalho, altos salários e progressão: Os profissionais de saúde podem facilmente fazer contratos de tempo reduzido, permitindo adaptação à realidade pessoal e desejada de cada indivíduo. Os salários são muito satisfatórios e mais altos que noutras especialidades, dada a escassez de médicos nos CSP, e existe progressão anual baseada no seu desempenho e resultados. As horas extra podem ser pagas ou convertidas para um “banco de horas”, podendo ser usadas posteriormente.

O que Portugal faz particularmente bem:

> Continuidade de cuidados: Em Skene, devido à escassez de médicos, muitos utentes são atendidos pelo profissional que estiver mais disponível no momento. Existem listas nominais de utentes na Suécia (idealmente, 1200 por médico) mas, na prática e em muitos lugares, a continuidade não é garantida. Em Portugal, embora isso não aconteça em todo o país, o nosso modelo de lista de utentes fortalece as relações de longo prazo entre médico e utente, especialmente importante na faixa das crianças e idosos.

> Cuidados abrangentes, para todas as idades e situações: Na Suécia, pode acontecer, como em Skene, que a vigilância da saúde infantil e as visitas domiciliárias sejam realizadas apenas por médicos designados. Em Portugal, na sua grande maioria, os médicos de família acompanham os utentes durante todo o ciclo de vida, incluindo gravidez e saúde da mulher, havendo mais uniformidade.

> Programas de rastreio: Os programas de rastreio de cancro são amplamente implementados na maioria das regiões de Portugal, especialmente os testes de rastreio de cancro colorretal, o que ainda é uma realidade a ser melhor implementada na Suécia.

Observações da prática clínica

Durante este intercâmbio pude observar uma ampla variedade de casos e situações, desde consultas de rotina até apresentações urgentes e indiferenciadas, principalmente acompanhando o trabalho do Dr. Adebayo, mas também com a possibilidade de observar outros dois especialistas e uma enfermeira especializada em diabetes mellitus.

Os CSP suecos, tal como em Portugal, lidam com uma parte significativa das apresentações agudas antes de escalarem para os cuidados hospitalares. Observei tomadas de decisão estruturadas e apoiadas pela possibilidade de realização de alguns exames auxiliares, como estudo analítico com hemograma completo e proteína C reativa, exames de urina e ECG. Se era pertinente pedir algum exame radiológico no momento ou a curto prazo, este era realizado e avaliado na área da Radiologia do edifício hospitalar, com encaminhamento posterior para outra especialidade, se necessário. Os encaminhamentos diretos para a urgência hospitalar eram enviados por fax ou levados em mão pelo utente.

O atendimento de urgência fora do horário do centro de saúde é centralizado na cidade de Borås (a cerca de 38 km de distância de Skene), entre as 17 e as 22h durante a semana e das 10h às 16h ao fim de semana. As vídeoconsultas também estão amplamente disponíveis, ocorrendo nacionalmente entre as 7h e as 23h. É comum que os médicos façam este tipo de atendimento fora do seu horário habitual no centro de saúde, turnos agendados de forma flexível e bastante bem pagos.

Observei ainda o uso eficiente de exames e referenciações precoces nas consultas programadas, com realização de uma avaliação diagnóstica completa prévia, incluindo análise laboratorial, análise de fezes, pesquisa de infeções (análise de urina, zaragatoas vaginais, testes rápidos de diagnóstico de infeções sexualmente transmissíveis), ECG e retoscopia. Os exames radiológicos possíveis de solicitar nos CSP são realizados, na sua maioria, no mesmo edifício do centro de saúde, sendo o agendamento comunicado diretamente ao utente. Vale a pena assinalar que muitos dos exames que em Portugal é possível prescrever nos CSP, como colonoscopia e ecocardiograma, são, na Suécia, realizados apenas pelas especialidades respetivas. Isto poderá refletir-se, por um lado, numa maior necessidade de encaminhamento para continuação de estudo e, por outro, num maior enfoque na avaliação clínica do utente.

De entre os casos mais interessantes, tive a sorte de observar um caso de infeção por borrelia, muito comum na Escandinávia na altura do verão, a estação com maior pico de casos; o diagnóstico é maioritariamente clínico (eritema migrans de maior diâmetro superior a 5 cm aumenta a sua probabilidade) e complicações como neuroborreliose, artrite e neuropatia periférica são diagnósticos diferenciais a serem considerados sempre que os utentes apresentam sintomas que afetam os respetivos sistemas, em contraste com a realidade portuguesa. Observei, ainda, um caso de suspeita de meningite de Lyme (com antecedentes de eritema migrans característico e tratamento respetivo 2 meses antes) vs. meningite de outra etiologia, que desencadeou encaminhamento para a urgência hospitalar para melhor avaliação e orientação.

As doenças crónicas são acompanhadas com responsabilidade partilhada. Diabetes, insuficiência cardíaca, dislipidemia e hipertensão são seguidas e tratadas por meio de uma colaboração estreita entre enfermeiros e médicos, geralmente alternando cada consulta a cada 6 a 9 meses, no caso da Diabetes, com exames laboratoriais agendados e realizados previamente à consulta. Os enfermeiros especializados em Diabetes podem solicitar glicose em jejum e HbA1c, sendo o estudo laboratorial completo realizado para a consulta seguinte com o médico. Outro aspeto particularmente interessante, observado no âmbito da vigilância de doenças crónicas, foi a possibilidade de o centro de saúde fornecer máquinas de automonitoramento da pressão arterial para os utentes com suspeita de hipertensão ou em ausência de controlo desta, para que pudessem medir em casa, com conexão com uma plataforma que os profissionais podem aceder posteriormente, para melhor compreensão e gestão do problema. Ainda, o centro de saúde encontra-se bem equipado com material de realização de dermatoscopia, retoscopia, entre outros, bem como salas de observação otorrinolaringológica e oftalmológica, utilizadas no dia-a-dia pelos médicos de família.

A abordagem centrada no utente foi evidente ao longo das várias consultas observadas. A disposição de cada sala de consulta – com o utente sentado ao lado do profissional de saúde, como nos ensinam ser uma boa prática na faculdade de medicina – e o facto de todos os profissionais chamarem pessoalmente os utentes na sala de espera são aspetos claramente positivos para uma boa comunicação. Ainda, o Dr. Adebayo, meu orientador, ensinou-me a sempre considerar a mnemónica “ICE” ao comunicar com o utente: explorar as suas Ideias, Preocupações e Expectativas, e procurar encontrar pontos em comum entre elas e a perspetiva clínica pessoal.

De notar, ainda, que, na Suécia, as prescrições de fisioterapia não passam pelos médicos de família, mas sim por um serviço dedicado, que os utentes devem contactar diretamente. Comparando com a nossa realidade em Portugal, esta forma de funcionamento elimina a carga de trabalho associada à transcrição de avaliações de medicina física e reabilitação na emissão ou renovação de prescrições.

Finalmente, pude observar alguns procedimentos práticos, incluindo realização de suturas, cuidados de feridas e tomada de decisão sobre a necessidade de tratamento com antibiótico perante estas. Isto reforçou um modelo em que os CSP servem tanto como ponto de entrada para atendimento médico programado e consultas de vigilância, como para resolução de situações de urgência menos graves.

Aprendizagem e impacto pessoal

Este estágio ajudou-me a redescobrir os meus próprios limites. Observar equipas suecas honrarem as suas pausas, respeitarem o seu próprio tempo e, ainda assim, oferecerem um excelente cuidado fez-me reconsiderar os meus hábitos diários. Aprendi que o descanso não é um mimo, a conexão humana dentro da equipa é fundamental e que o equilíbrio não é incompatível com a eficiência, pelo contrário, aprimorando-a.

No âmbito profissional, saí com novas ideias para a minha prática: integrar pausas estruturadas, defender mais psicólogos nos CSP, explorar ferramentas de transcrição com IA e serviços de tradução, e promover mais trabalho interdisciplinar. Pessoalmente, saí com um novo sentido de propósito e uma motivação mais forte para melhorar o meu trabalho diário. Levarei os ensinamentos e partilhas do Dr. Adebayo – a quem expresso a minha sincera gratidão por todo o tempo partilhado -, de entre eles: “Procura alcançar o céu; poderás aterrar entre as estrelas.”

Assim, fika a dica – recomendo vivamente este programa de intercâmbio, possibilitado pela WONCA, EURACT e APMGF, a quem agradeço as oportunidades criadas. Acredito que qualquer experiência que nos coloque num sistema de saúde diferente amplia a nossa compreensão – não apenas da medicina, mas também de nós mesmos e da nossa prática, clínica e não clínica. As minhas experiências anteriores de Erasmus, voluntariado médico e estágios em diferentes unidades de saúde já me haviam dado ensinamentos sobre isto, e este Hippokrates Exchange confirmou-o: há sempre muito a aprender quando permanecemos curiosos e abertos a novas experiências. São viagens de humildade, inspiração e aprendizagem.

Filipa Gonçalves Dias

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