Os fármacos específicos para a enxaqueca, inicialmente disponibilizados em meio hospitalar, têm vindo a ser estudados em contexto de vida real por um consórcio internacional coordenado a partir do Hospital Call d’Hebron, em Barcelona (Consórcio EUREkA). Este grupo tem contribuído de forma significativa para a compreensão dos fatores associados à progressão da enxaqueca para formas crónicas.
Com a recente disponibilização destes fármacos em farmácia comunitária em Portugal, surge agora a oportunidade de avaliar o seu impacto quando utilizados em doentes seguidos nos Cuidados de Saúde Primários (CSP). O objetivo é perceber se o início atempado de terapêutica preventiva eficaz poderá reduzir o risco de evolução para formas crónicas ou refratárias da doença.
Este estudo conta com o apoio da European Headache Federation – da qual integra a Direção a neurologista portuguesa Raquel Gil-Gouveia – e do MGF.dor – Grupo de Estudos de Dor da APMGF, que se associa a esta iniciativa internacional, reconhecendo o papel central da Medicina Geral e Familiar na abordagem precoce da enxaqueca.
A evidência recente sugere que a intervenção preventiva adequada, quando clinicamente indicada, pode alterar o curso natural da doença. Sendo a enxaqueca a principal causa de incapacidade neurológica a nível global, afetando cerca de 15% da população, o envolvimento dos Médicos de Família neste registo assume particular relevância.
Convidamos, assim, todos os Médicos de Família que exerçam em Portugal a integrar este registo internacional, que consiste na recolha sistematizada de dados clínicos de doentes tratados com estas terapêuticas.
Os colegas interessados deverão manifestar o seu interesse através do email dor@apmgf.pt. A vossa participação poderá contribuir de forma decisiva para melhorar o conhecimento científico e a abordagem precoce da enxaqueca em Portugal.











