Congresso mundial de Medicina Familiar traz mais de quatro mil inscritos a Lisboa

Arrancaram hoje, 17 de setembro, na capital portuguesa os trabalhos da 25ª Conferência Mundial da WONCA, um evento científico organizado em parceria pela Região Europeia da WONCA e pela APMGF e que reúne perto de 4.200 inscritos, de 117 nacionalidades diferentes.

Nuno Jacinto, presidente da APMGF, declarou que “uma vez mais, Portugal é o local onde o mundo se encontra” e que o evento deste ano representa “um marco especial, já que há onze anos atrás, no mesmo centro de congressos, o Prof. Richard Roberts ofereceu-nos uma conferência inspiradora no encerramento do congresso europeu da WONCA, que reforçou o meu amor pela MGF. Nessa comunicação, falou-nos da importância e do poder do um. Hoje, posso estar aqui a reafirmar a imensa força que existe em cada médico de família (MF), em cada um de nós. Podemos fazer mesmo a diferença e continuando a citar o Prof. Roberts, nós os MF podemos mudar a vida daqueles que procuram a nossa ajuda. E quando transformamos uma vida, transformamos uma família, uma comunidade, um país e finalmente o mundo”.

Nina Monteiro, co-chair do comité organizador local, mostrou-se convencida de que os participantes “irão descobrir durante os cinco dias da conferência muitos assuntos do seu interesse” e encorajou-os a “tomar parte na aquisição de conhecimentos, a partilhar experiências, a fazerem perguntas e a envolverem-se sem reservas”. Destacou ainda algumas novidades do evento, como a criação de um «keynote speaker corner», um espaço no qual após cada palestra os interessados poderão continuar a debater ideias com os speakers e a aprofundar questões. A responsável adiantou ainda que embora os congressistas “tenham opiniões, skills e passados muito díspares entre si, convergem no mesmo local com humanidade partilhada e um compromisso comum para com os cuidados primários e a Medicina Familiar”.

Na ótica de Shlomo Vinker, presidente da WONCA Europa, a ocasião é em simultâneo merecedora de celebrações e uma oportunidade para reforçar que a MGF “é o coração dos CSP. Chegámos todos aqui a Lisboa provenientes de diferentes países e continentes. Todavia, os nossos princípios básicos enquanto MF são os mesmos. Estamos dedicados e comprometidos com os nossos doentes, famílias e comunidades”.

Ana Paula Martins, ministra da Saúde, afirmou que valoriza o “papel decisivo da MGF e dos CSP para a construção de um sistema de saúde mais justo, humano e sustentável. A MGF é a salvaguarda, no nosso país, de que cada pessoa, em cada aldeia, vila ou cidade tem alguém que a pode acompanhar ao longo da vida, alguém que a conhece, à sua família e que a trata com dignidade e inspira confiança”. A governante sublinhou as conquistas obtidas a nível nacional com a reforma dos CSP projetada no início do século, em termos de melhorias de acesso, maior proximidade aos utentes, flexibilidade incutida nas organizações e maior autonomia para as equipas, embora admita que nem tudo é perfeito: “a reforma trouxe frutos positivos, mas não podemos parar por aqui. O futuro exige mais e exige que possamos garantir que todas as pessoas têm acesso a um MF e a um enfermeiro de família, algo que ainda não se concretizou em Portugal”. Um objetivo difícil, aliás, de alcançar a médico prazo, já que segundo Ana Paula Martins, “a escassez de recursos humanos em saúde representa o maior desafio para os sistemas de saúde nos próximos dez anos”.

Para Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, este foi o dia ideal para “celebrar a MGF e a sua missão universal de colocar a pessoa no centro dos cuidados. Há momentos que definem gerações e este, aqui em Lisboa, é certamente um deles, até porque a MGF mantêm-se resoluta na afirmação da justiça social, assegurando que ninguém ficará para trás e que todas as vidas têm valor”. O bastonário acrescentou que a especialidade transmite uma racionalidade inabalável aos sistemas de saúde, ao “evitar hospitalizações e a realização de mais exames, ao mesmo tempo que reduz custos, aumenta a qualidade de vida das pessoas e faz jus ao espírito hipocrático e à relação médico/doente”.

O arranque da iniciativa ficou também marcado por duas keynote lectures, a primeira a cargo da presidente da WONCA Mundial, Karen Flegg, na qual se procurou explorar as condições essenciais à sustentabilidade da MGF e a segunda proferida por Şeyma Handan Akyön, co-lead do Grupo de Saúde Digital do European Young Family Doctors Movement (EYFDM), centrada na influência que a Inteligência Artificial (IA) tem e terá no dia-a-dia dos MF.

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