APMGF promoveu valores e práticas essenciais para uma vida equilibrada na Semana da Saúde & Bem-Estar

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) foi uma das entidades que marcou presença, a convite da Universidade de Lisboa, na iniciativa «Semana da Saúde & Bem-Estar na Ulisboa», realizada entre os dias 28 a 30 de abril de 2026, tendo tido a oportunidade de esclarecer toda a comunidade académica envolvida e demais população que procurou o espaço sobre matérias fundamentais no campo da promoção da saúde e prevenção da doença.

Durante os três dias do evento, membros dos órgãos sociais da Associação, assim como colegas pertencentes a vários grupos de estudos, puderam assim interagir com estudantes, professores, funcionários das diversas faculdades e outras pessoas que decidiram visitar o local, sempre com a preocupação de informar, dissipar dúvidas e contribuir para estilos de vida saudáveis.

A participação da APMGF nesta ação vocacionada para a literacia em saúde resultou num enorme sucesso, não apenas pelos materiais e conselhos partilhados com cada visitante em específico, mas sobretudo pelo facto de através dela ter sido possível estar próximo da comunidade, uma meta que é tão relevante para a APMGF como para a Medicina Geral e Familiar, enquanto especialidade médica.

Na ótica de José Mendes Nunes, presidente da Mesa da Assembleia Geral da APMGF, o contributo da Associação para este fórum é mais do que natural face às responsabilidades e vocação que esta encerra e deve ter continuidade no futuro, porque todos são poucos para defender uma Saúde mais centrada nas pessoas e menos em números de consultas, diagnósticos, cirurgias ou prescrições: “os médicos de família têm uma grande responsabilidade em termos de intervenção nas comunidades e não se podem fechar sobre si próprios. A nossa grande função aqui foi, de facto, mostrar como as pessoas podem preservar a sua saúde. E, antes de mais, dar-lhes a entender que, mesmo tendo doença, têm muito mais de saúde e que precisam de proteger essa parte saudável, não devem ficar só obcecados com a doença que os afeta, esquecendo-se de tudo o resto que ainda têm para cuidar. Parece-me que a participação da Associação neste encontro com a população é muito positiva e considero, até, que a mesma se deve envolver em maior número de atividades deste género, dar-se a conhecer e contribuir para desviar o foco da doença para a saúde. Tal faz-se, também, com a vontade de combater mitos e ideias que resultam depois em medos e consumos. Note-se que, hoje em dia, os dois grandes negócios do século são a venda de armas e a Saúde. Os dois baseiam-se no medo. As armas através do medo do outro e a Saúde por via do medo do próprio, da célula que origina cancro, do problema que aparece ali ou lá. Face a todos estes medos, caímos num hiperconsumo de recursos que não faz sentido”.

Entre os grupos de estudos da APMGF que se juntaram a esta missão vital de levar o melhor que a MGF tem para dar à comunidade da Universidade de Lisboa esteve, por exemplo, o Grupo de Estudos da Sexualidade (GESEX). Consigo levou materiais informativos mas também um repto lançado aos presentes, de responderem a um breve quizz que tem como intuito desconstruir mitos comuns que existem na população portuguesa sobre a vivência da sexualidade e os riscos de saúde que esta pode comportar.

Carla Marques, do GESEX, não podia estar mais satisfeita com o resultado final: “de facto, conseguimos criar um momento mais interativo e embora, por vezes, possamos entrar um bocadinho a brincar, temos a possibilidade de ao mesmo tempo passar mensagens chave sobre assuntos que continuam a ser tabu para muitas pessoas. Assumimos, no presente, que toda a gente tem acesso a informação sobre sexualidade – e na realidade ela está hoje mais acessível – mas subsistem muitos preconceitos e às vezes é preciso trabalhá-los e clarificar quem nos procura. Mesmo na população mais jovem e estudantil, que supostamente tem acesso a tudo, os mitos continuam a perdurar. Ser-se jovem universitário não é sinónimo de se ter a informação mais correta e atualizada neste contexto”.

De acordo com a representante do GESEX, ainda que muitas pessoas revelassem alguma timidez inicial, quase todas as que se aproximaram do espaço destinado à APMGF optaram por realizar o quizz sobre os mitos e verdades em torno da sexualidade desenvolvido por este grupo de estudos: “à medida que as pessoas iam respondendo, tínhamos então a oportunidade de discutir cada mito ou cada verdade que era apresentada e refletir um bocadinho sobre algumas questões que consideramos importantes. A recetividade foi ótima!”.

Para Carla Marques, torna-se óbvio que esta experiência de «imersão comunitária» da APMGF e dos seus grupos de estudos é merecedora de continuidade e serviu para animar ainda mais os médicos de família que desejam ter impacto fora do seu consultório: “no GESEX, estamos todos bastante motivados para participar neste tipo de iniciativas. Uma coisa é estar no nosso gabinete fechado, focados naquela interação médico-utente, outra coisa é estar num evento de grande dimensão onde podemos ter uma abordagem mais comunitária, trabalhar em prol da educação e literacia para a saúde. Julgo, aliás, que a generalidade dos médicos de família gosta de se envolver nestas ações mas, infelizmente, não surgem assim tantas oportunidades para o fazermos”.

 

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