Dados iniciais do Vacinómetro comprovam que há forte adesão à vacina contra a gripe em grupos prioritários e influência da recomendação médica

Já são conhecidos os primeiros dados do projeto Vacinómetro – que monitoriza a vacinação contra a gripe sazonal em grupos prioritários durante a época gripal 2025/2026. Os resultados apurados na primeira vaga (com recolha de dados de campo entre 15 e 20 de outubro) demonstram que desde o início da época se verificam padrões de adesão significativos, com destaque para os grupos mais vulneráveis e para o papel preponderante da recomendação médica.

Assim, um total de 39% dos indivíduos com 65 ou mais anos de idade já recebeu a vacina e no sub-grupo dos 60 a 64 anos, o Vacinómetro aponta para uma taxa de cobertura vacinal de 16,1%. Nas pessoas portadoras de doença crónica a percentagem de vacinados apurada é de 44,6%. Realce ainda para o facto de 32,8% dos profissionais de saúde em contacto direto com doentes já terem sido vacinados contra o vírus da gripe e 38,6% das grávidas afirmarem já estar vacinadas nesta fase.

Refira-se ainda que 49,7% dos indivíduos com 85 ou mais anos de idade já receberam a vacina, dos quais 56,3% indicaram que o fizeram por recomendação médica e 71,3% foram informados pelo profissional de saúde que lhes estava a ser administrada a vacina de dose elevada. Dentro do grupo das crianças entre os 6 e os 24 meses, recentemente incluído na recomendação de vacinação gratuita, 26,2% foram vacinadas. A recomendação do pediatra foi o principal fator para a vacinação (71,1%), e a falta dessa recomendação a razão mais apontada para a não vacinação (45,8%), embora 19,3% dos pais ainda tencione vacinar os seus filhos.

Relativamente à coadministração da vacina contra a gripe e da vacina contra a covid-19, 61,9% dos grupos com recomendação optou pela coadministração das vacinas, sendo o principal motivo “a vontade de estar protegido” (58,4%). Ainda nos grupos com recomendação, a maioria dos inquiridos não vacinados pretende fazê-lo coadministrando as vacinas contra a gripe e contra a covid-19 (68,7%). De referir que no grupo de indivíduos já vacinados os principais motivos alegados para concretizar a imunização são a recomendação do médico (49,3%), a vontade individual de o fazer (23,6%), a imunização no contexto de uma iniciativa laboral (14,6%) e a receção de notificação de agendamento pelo SNS (9,4%).

Através da análise da distribuição por região das pessoas vacinadas com 65 ou mais anos de idade, podemos constatar que 23,8% destas pessoas já se vacinaram na região Autónoma da Madeira, 47,8% no Alentejo, 39,2% na Região Norte, 44,9% na Região Centro e 39,7% na área metropolitana de Lisboa. No Algarve, a percentagem é de 14,8% e na Região Autónoma dos Açores de 17,1%.

Desta primeira vaga é possível ainda aferir que 1,5% das pessoas dos 65 ou mais anos de idade vacinadas fizeram-no pela primeira vez este ano e que 60,7% das pessoas não vacinadas pertencentes a esta faixa etária ainda tencionam vacinar-se. De entre aqueles que ainda não se vacinaram, o principal motivo apresentado para a não vacinação foi a “falta de oportunidade” (46,7%) e no lote de pessoas ainda não vacinadas mas integradas nos grupos com recomendação 32,7% referem que ainda tencionam vacinar-se. Neste subgrupo, em particular, o grupo dos doentes crónicos é aquele que apresenta a intenção de vacinação superior (61,8%).

De acordo com Filipe Froes, pneumologista e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, “é muito positivo verificar a forte adesão de grupos vulneráveis como doentes crónicos (44,6%), indivíduos com 65 ou mais anos (39%) e grávidas (38,6%), o que é vital para a sua proteção. A influência da recomendação médica (49,3%) é clara e decisiva. É importante continuarmos o nosso trabalho de apelar à vacinação, especialmente entre os adultos mais velhos, que dispõem agora de uma opção de dose elevada que lhes confere ainda mais proteção.”

O Vacinómetro é um projeto de monitorização da cobertura vacinal, da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), com o apoio da Sanofi Pasteur. Lançado no ano de 2009, o Vacinómetro permite monitorizar, em tempo real, a taxa de cobertura da vacinação contra a gripe em grupos prioritários recomendados pela DGS. Nesta época estão envolvidos na amostra do estudo 4082 participantes, residentes em todo o território de Portugal Continental e Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

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