Encerrou a 23ª edição das Jornadas de MGF dos Açores, um evento que ofereceu em Ponta Delgada três dias de partilha de ideias e experiências, fortalecimento de contactos e convívio entre pares, num contexto insular e fragmentado geograficamente que não pode mesmo dispensar estes momentos anuais de encontro e debate.
“Tivemos cerca de 160 inscritos, o que significa que continuamos a ter uma boa adesão e tal facto para nós é muito enriquecedor. Passámos por várias áreas dentro da Medicina Geral e Familiar, umas mais próximas da nossa prática, outras nem tanto, numa forma de tirar dúvidas e partilhar experiências e com isto melhorar a nossa prática clínica, facilitá-la. Disto mesmo foram bons exemplos as sessões sobre a utilização de inteligência artificial ou a migração e o seu impacto na nossa prática clínica (uma vez que as comunidades são cada vez mais mistas e temos que ter conhecimento de como atuar em coisas básicas do dia-a-dia). Abordámos ainda questões mais comuns relacionadas com a osteoporose, ou as alterações hormonais e adaptação à menopausa, matérias associadas à flora intestinal, entre outras. Foi favorável e benéfico para todos. Saímos daqui com um bom sentido de conquista e de trabalhos bem realizados no timing correto”, assegura Tatiana Nunes, delegada regional da APMGF nos Açores.
Estas jornadas marcam também o fim de um ciclo, com a saída de cena da atual equipa que lidera a Delegação Regional dos Açores da APMGF e a entrada de novas caras em breve, por via das eleições para os órgãos regionais. Tatiana Nunes sente, sobretudo, que a missão chegou ao fim de forma positiva e o futuro pode trazer avanços indispensáveis: “esta delegação cumpriu o seu segundo triénio. Depois de seis anos, estamos prontos para passar a pasta aos colegas mais novos, os quais trazem ideias frescas e podem dinamizar de outra forma a Medicina Geral e Familiar, que é importante manter viva nos Açores”.
No arranque das jornadas concretizou-se finalmente um marco relevante para a especialidade da MGF no arquipélago e para a delegação regional, a inauguração formal da sede da APMGF nos Açores. “Depois de muito suor e lágrimas, temos mais um feito desta delegação e desta equipa e saímos, de facto, com um sentido de missão cumprida. Espero que toda a comunidade da MGF nas nove ilhas possa usufruir deste novo espaço”, conclui Tatiana Nunes.
Para o diretor-regional da Saúde dos Açores, Pedro Garcia Paes, o programa das jornadas revelou-se “profundamente alinhado com os desafios atuais dos cuidados de saúde primários, ao nível da prevenção, saúde mental, inteligência artificial, violência doméstica, migração de saúde, prescrição social, gestão da doença crónica, literacia em saúde, qualidade clínica e humanização dos cuidados. Este programa demonstra aquilo que hoje é indiscutível. A Medicina Geral e Familiar constitui a verdadeira base estrutural de um sistema de saúde moderno, sustentável, próximo e centrado nas pessoas”. O dirigente acrescentou que o governo regional tem procurado fazer a sua parte no que respeita à consolidação de cuidados de saúde primários fortes no arquipélago, ao “investir na valorização das unidades de saúde, na normalização dos centros de saúde, na melhoria das condições de trabalho e na capacitação tecnológica dos serviços, promovendo respostas mais céleres, integradas e mais próximas das populações”. Isto sem descurar, ao mesmo tempo, a aposta nos recursos humanos, assegurou Pedro Garcia Paes: “não existe transformação do sistema sem profissionais motivados, diferenciados e reconhecidos. Por isso, o governo regional tem assumido como prioridade a atração e fixação dos médicos nos Açores, incluindo os médicos de família. Através de incentivos à fixação, melhoria das condições de exercício profissional e reforço da formação médica na região”.
Enquanto membro da Comissão Científica e Organizadora destas jornadas, Ana Rita Mendes aproveitou o encerramento da iniciativa para destacar igualmente o papel – muitas vezes silencioso mas essencial – que os internos da especialidade tiveram na construção destas jornadas, ano após ano, assim como na prestação de cuidados dentro das unidades de saúde: “muitas vezes, os internos ainda continuam a ser vistos apenas como médicos em formação, quase num sentido menor ou num degrau abaixo. Mas a verdade é que somos diariamente médicos e estamos plenamente envolvidos na resposta assistencial, nas urgências, nas listas, nos projetos, na investigação e na construção desta tão bonita especialidade. E estas jornadas tiveram a enorme virtude de nos tratar exatamente como tal; colegas (…) Esperamos sinceramente que tenham gostado destes dias tanto como de nós gostámos de os preparar entre reuniões, telefonemas, imprevistos e muito trabalho invisível que raramente aparece no programa final, mas que é feito com enorme carinho”.
Prémios
Poster – Relato de Caso
Menção Honrosa
PARA ALÉM DA COSTOCONDRITE: DESAFIO DIAGNÓSTICO NUMA DOR TORÁCICA
Vânia Medeiros1, Beatriz Quental Cruz2, Graça Eleutério1, Laura Botelho1, Raquel Medeiros1
1USISM-CSPD, 2USISM – CSPD
Prémio
DA ROTINA AO DIAGNÓSTICO: O EXAME FÍSICO COMO PROTAGONISTA
Raquel Quirino de Melo Medeiros1, Ana Beatriz Cruz1, Graça Eleutério1, Laura Botelho1, Vânia Medeiros1
1Unidade de Saúde Ilha de São Miguel
Comunicações Orais – Investigação
Menção Honrosa
PRESCRIÇÃO DE TIRAS-TESTE PARA MONITORIZAÇÃO DA GLICÉMIA CAPILAR – UM PROJETO DE INVESTIGAÇÃO
Matilde Sales Silveira1, Alice Martins B1, Daniela Valadão1, Irina Rodrigues1, Mara Arruda1, Joana Meneses1, Dúnia Rocha1
1Centro de Saúde da Praia da Vitória, USIT
Comunicações Orais – Relato de Caso
Menção Honrosa
PREDISPOSIÇÃO FAMILIAR NA GASTRITE AUTOIMUNE: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Ana Catarina Bailador1, André Melo1, Maria Teresa Albergaria1, Sara Trigo1
1Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel – Centro de Saúde da Lagoa
Prémio
QUANDO A DISPNEIA NUM EX‑FUMADOR NÃO MELHORA: O OLHAR DA MGF PARA ALÉM DA DPOC.
Rui Diogo Oliveira Rodrigues1, Alice Avanzo1, Diogo C Tavares1, Natacha Murinello1
1USF Carcavelos, ULS Lisboa Ocidental



















