Paulo Santos – “A RPMGF está a consolidar a sua presença no espaço científico como fonte regular de consulta e referência”

Recentemente, a Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (RPMGF) conheceu um incremento significativo no número de acessos detetados via Crossref – instituição internacional sem fins lucrativos formada por editoras, empresas e instituições académicas que armazena metadados e códigos Digital Object Identifier (DOI) de vários tipos de conteúdos de natureza científica. Tal comprova uma maior procura da Revista e dos artigos nela contidos e mais elevada exposição da mesma junto da comunidade que serve. Para Paulo Santos, Editor-chefe da RPMGF, estamos perante um sinal da maturidade da publicação e do bom trabalho realizado ao longo dos últimos anos, desenvolvido em torno do objetivo de “garantir que a RPMGF é lida, utilizada e reconhecida como um espaço útil e credível de produção científica”.

 

A RPMGF conheceu um aumento sustentado e gradual, nos últimos meses, do número de acessos através da CrossRef (DOI). Na sua perspetiva, tal significa que a Revista está a ganhar projeção junto da comunidade médica e científica?

Paulo Santos – Sim. Os dados do último ano reforçam claramente essa leitura. Em 2025, os conteúdos da RPMGF registaram mais de dois mil acessos através da CrossRef, distribuídos por cerca de novecentos DOI diferentes. Isto mostra que o interesse não está concentrado em poucos artigos, mas sim espalhado por todo o arquivo da Revista.

O acesso via DOI é particularmente relevante porque traduz uma utilização qualificada, feita sobretudo por investigadores, clínicos e docentes que chegam aos artigos através de referências bibliográficas e plataformas científicas. O facto de este crescimento ser gradual e consistente sugere que a RPMGF está a consolidar a sua presença no espaço científico como fonte regular de consulta e referência.

Existe alguma meta, em termos de acessos, utilizadores ou submissões, que a equipa da Revista gostaria de alcançar a breve trecho?

Partimos do princípio de que aquilo que não é medido tende a não existir. Por isso, os indicadores de acessos, leituras, citações e submissões são acompanhados com muita atenção, não como um exercício de contabilidade, mas como uma forma objetiva de avaliar a performance da Revista e afinar continuamente os seus procedimentos editoriais em função dos objetivos de qualidade.

Uma revista científica que não é lida nem citada dificilmente está a cumprir a sua missão, seja ela a atualização científica dos médicos de família ou a promoção da produção de novo conhecimento em cuidados de saúde primários. Nesse sentido, os números ajudam-nos a perceber se estamos, de facto, a chegar ao público-alvo e a ser relevantes para a prática clínica, para o ensino e para a investigação.

Mais do que metas absolutas, o nosso foco está em garantir que a RPMGF é lida, utilizada e reconhecida como um espaço útil e credível de produção científica, sustentando o seu crescimento com rigor e consistência.

Que medidas, ajustes, ou reforço de estratégias podem ainda ser realizados no sentido de fazer crescer a presença desta revista junto da comunidade médica nacional e internacional?

A principal aposta da RPMGF tem sido o reforço sustentado da qualidade editorial. Entendemos que a credibilidade científica é o fator mais determinante para o reconhecimento nacional e internacional de uma revista.

Nesse sentido, já foram dados passos estruturantes, como a indexação na DOAJ e a adesão estrita às normas da COPE, garantindo elevados padrões de ética, transparência e rigor nos processos editoriais. Este trabalho pretende criar bases sólidas para que a Revista possa, a breve prazo, ser reconhecida pelas grandes bases internacionais de indexação, como a MEDLINE e a EMBASE.

Estamos convictos de que o investimento continuado na qualidade científica e editorial é o caminho mais seguro para afirmar a RPMGF como revista de referência na Medicina Geral e Familiar, valorizando simultaneamente os autores, os leitores e a prática clínica que a Revista procura servir.

O futuro da RPMGF passa por aprofundar este percurso de consolidação, com prioridades bem definidas. Por um lado, queremos aumentar o número de artigos de investigação original, reforçando o papel da Revista como espaço privilegiado para a produção de conhecimento científico em Medicina Geral e Familiar, capaz de dialogar com a prática clínica, o ensino e a investigação. Por outro, é essencial reduzir o tempo de processamento editorial dos artigos submetidos, tornando o percurso de autores e revisores mais eficiente, transparente e previsível. A aposta numa maior digitalização dos processos editoriais, com ferramentas de apoio efetivo à gestão do fluxo editorial e à revisão por pares, será determinante para atingir esse objetivo.

Acreditamos que estes dois caminhos são fundamentais para reforçar a atratividade da RPMGF junto da comunidade médica e científica e para garantir a sua relevância e sustentabilidade no futuro.

 

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