A Medicina Geral e Familiar (MGF) conta com mais uma doutorada entre os seus representantes, após Margarida Gil Conde (assistente em MGF na USF Jardins da Encarnação – ULS de São José –, responsável pela rede RAIZ-CSP, membro da Comissão de Avaliação de Tecnologias de Saúde do INFARMED, membro do Núcleo Coordenador do Departamento de Investigação da APMGF e assistente convidada na Clínica Universitária de MGF da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa – FMUL) ter concluído no passado dia 28 de julho com sucesso as suas provas de doutoramento na Aula Magna da FMUL, com a tese subordinada ao título «Estratégias para o Desenvolvimento da Capacidade de Investigação em Medicina Geral e Familiar e Cuidados de Saúde Primários».
O júri da prova foi presidido por Helena Cortez Pinto (professora catedrática e presidente do Conselho Científico da FMUL) e integrou ainda os vogais Sofia Baptista (Faculdade de Medicina da Universidade do Porto), Vasco Ricoca Peixoto (Escola Nacional de Saúde Pública – Universidade Nova de Lisboa), Alda Pereira da Silva Oliveira (FMUL), Cristina Gomes Ribeiro (FMUL) e Sara Gamboa Madeira (FMUL). A orientadora da tese foi Cristina Gomes Ribeiro e a co-orientadora Paula Broeiro Gonçalves.
A tese que alicerçou este doutoramento teve como objetivo desenvolver uma estratégia nacional baseada em evidência para o desenvolvimento da capacidade de investigação em MGF e Cuidados de Saúde Primários (CSP) em Portugal. Para tal, foi concebido um programa de investigação multimétodo e sequencial, integrando um estudo qualitativo, um estudo transversal nacional, uma scoping review, um estudo Delphi e um Fórum Nacional de Desenvolvimento da Capacidade de Investigação, envolvendo investigadores, profissionais de saúde, decisores e outros stakeholders.
O programa de investigação permitiu caracterizar o estado da investigação em MGF e CSP em Portugal, identificar barreiras, facilitadores e estratégias de desenvolvimento da capacidade de investigação, mapear a evidência internacional disponível e alcançar consenso nacional sobre as prioridades estratégicas para este domínio. As recomendações obtidas foram posteriormente discutidas e refinadas num Fórum Nacional, culminando na elaboração de um Policy Brief que traduz a evidência produzida em recomendações concretas para os diferentes níveis do sistema de saúde.
O principal contributo desta tese consiste na construção de uma estratégia integrada, baseada em evidência e consenso, para o desenvolvimento da capacidade de investigação nos CSP, articulando recomendações dirigidas aos profissionais, às organizações e ao sistema de saúde. Uma estratégia apoiada, diga-se, pela APMGF. Ao integrar diferentes metodologias e envolver múltiplos stakeholders, este trabalho contribuiu para o avanço conceptual e metodológico do Research Capacity Building em CSP e disponibiliza um referencial para apoiar a implementação de políticas e iniciativas que promovam sistemas de saúde mais inovadores, baseados na evidência e orientados para a melhoria contínua da qualidade dos cuidados.
“A decisão de realizar este doutoramento surgiu de forma pouco convencional. O projeto de investigação já estava em desenvolvimento e a necessidade de lhe dedicar tempo de forma estruturada levou-me a procurar um enquadramento académico que permitisse conciliar a atividade clínica com a investigação, beneficiando do estatuto de equiparada a bolseira. Mais do que um objetivo académico em si, o doutoramento constituiu a oportunidade de dar continuidade a um projeto em que acreditava profundamente”, reflete Margarida Gil Conde.
A prioridade que deve ser atribuída à investigação no âmbito dos CSP tem sido desde sempre defendida por esta médica de família de modo firme e acabou por conduzir com a máxima naturalidade a este desfecho, ainda que o mesmo não tenha sido planeado à partida: “o meu percurso académico foi sendo construído de forma gradual e inesperada, nunca como uma ambição pessoal previamente definida. O que sempre me motivou foi a convicção de que a cultura de investigação deve fazer parte integrante dos CSP e que é necessário criar condições para que mais profissionais possam investigar, produzir conhecimento e utilizá-lo para melhorar os cuidados prestados à população”.
Margarida Gil Conde espera que o doutoramento represente não um ponto de chagada, mas antes outro passo importante num percurso que lhe permita “continuar a contribuir para o desenvolvimento da investigação em MGF em Portugal, promovendo redes colaborativas, formando novos investigadores e apoiando a criação de infraestruturas sustentáveis que possibilitem um salto qualitativo e quantitativo da investigação nos CSP”.


















