Em antecipação às 12ªs Jornadas do Grupo de Doenças Respiratórias (GRESP) da APMGF, realizadas em Coimbra, tiveram lugar dois cursos multiprofissionais que reuniram mais de 50 inscritos na cidade dos estudantes.
O curso « O essencial das doenças respiratórias», nascido de uma parceria estabelecida desde há alguns anos a esta parte entre o GRESP e Associação Nacional de Farmácias (ANF), tem como público-alvo farmacêuticos comunitários. Maria Mendes, Head of Health Solutions na ANF e formadora da iniciativa, garante que “o objetivo principal deste curso é, sem dúvida alguma, capacitar os farmacêuticos, atualizá-los, dar-lhes uma perspetiva clínica em relação à gestão das doenças respiratórias crónicas. Este ano, a recetividade foi excecional! Tínhamos como limite as 20 vagas, contudo tivemos de alargar as mesmas e abrir duas exceções, isto sem colocar em risco o caráter muito prático do curso, porque de outra forma perde-se a interação que sempre quisemos oferecer aos participantes destes cursos. No fundo, a nossa intenção com esta formação passa também por criar pontes entre os vários profissionais que atuam na comunidade, sejam eles médicos de MGF, farmacêuticos, enfermeiros, etc.”.
Já Cláudia Vicente, co-presidente das 12ªs Jornadas GRESP e presidente do International Primary Care Respiratory Group (IPCRG), relembra que a parceria desenvolvida entre a ANF e o GRESP/APMGF, consubstanciada em ações como este curso, tem decorrido de modo muito satisfatório: “sabemos que existe uma dificuldade global no nosso país em entender, eu diria, a magia dos cuidados de saúde primários e a forma como a saúde se estabelece na comunidade. Por isso mesmo, é importante termos todos os profissionais de saúde a falar a mesma linguagem, a trabalhar para o mesmo fim, tendo como centro o doente. E foi com esta visão que o GRESP endereçou o convite – inicialmente a partir do projeto CAPA – à ANF, o qual foi super bem acolhido e se tem vindo a traduzir em múltiplas oportunidades formativas, ações de sensibilização para a saúde na comunidade e outras iniciativas conjuntas. Este curso – e o seu sucesso – são um espelho de tal necessidade de união e de percebermos que desta forma trabalhamos todos melhor e os doentes ganham mais-valias”.
Por outro lado, o curso «Da doença respiratória à molécula e ao dispositivo», aberto a todos os profissionais de saúde, procurou abordar a Asma e a DPOC, nas suas diversas vertentes, desde o diagnóstico, tratamento e seguimento, escolha do Inalador, técnica inalatória, entre outros aspetos. Segundo uma das formadoras do curso, Ana Margarida Cruz, a ideia central passava por “falar de Asma e DPOC, da patologia à molécula, debatendo inaladores a propósito de dúvidas clínicas, como podemos medicar, fazer o diagnóstico, sempre de uma forma abrangente e numa visão clínica alargada. Escolhemos dois casos clínicos que tentam ilustrar as diferenças entre Asma e DPOC e suscitam dúvidas, que procuramos depois clarificar num modelo mais dinâmico e interativo, colocando os participantes a formular questões, recorrendo até à inteligência artificial. Em última análise, simulamos o contexto de uma consulta… como encaramos o doente respiratório que está à nossa frente, como avançamos para diagnósticos diferenciais, ao invés de procuramos apenas enquadrar as guidelines de uma e outra patologia. É este o desafio!”.
A formadora do GRESP sublinha que na vida real muitos casos que surgem no consultório do MF caem na linha de fronteira entre as duas patologias respiratórias, o que força o profissional a adotar estratégias inovadoras para gerir o problema de saúde, tal como sucedeu neste curso: “é um pouco como construir um puzzle. Observamos características de uma patologia, mas também da outra. Mas, no final, o puzzle apresenta-se mais completo para uma destas doenças. O que fazemos é criar confiança na consolidação destas hipóteses, com recurso à exposição da fisiopatologia, epidemiologia, critérios diagnósticos, diferentes guidelines que nos permitem fazer a diferenciação. Esta projeção de hipóteses era o que desejávamos que o participantes pensassem connosco, da forma mais interativa possível”.
O curso em questão contou ainda com o apoio da TEVA Pharma e incluiu a atribuição de um prémio que contempla a inscrição e a viagem para o encontro científico do IPCRG, em Oxford, a 19 e 20 de abril de 2027. “Desenhámos algumas questões específicas para esta formação e o vencedor será o colega que acerte nas respostas e o faça no intervalo de tempo mais curto. De facto, percebemos que aqui há muitas questões que são as do nosso quotidiano clínico e que seria justo premiar a pessoa mais interessada e motivada e que conseguiu aqui beber as informações mais interessantes”, esclarece Ana Margarida Cruz.































