Vigésima sexta edição do Encontro de MGF do Alto Minho mostrou que integração de cuidados é o caminho a seguir

Entre 28 e 29 de maio, Vila Nova de Cerveira acolheu cerca de 140 inscritos para o 26º Encontro de MGF do Alto Minho, organizado pela Delegação Distrital de Viana do Castelo da APMGF, com a colaboração da Direção de Internato Ricardo Jorge, Núcleo de Internos da Direção de Internato Ricardo Jorge, Centro de Saúde de Vila Nova de Cerveira e autarquia local.

“Estamos muito satisfeitos com estes dois dias de encontro. O tema deste ano, «Integração de Cuidados, o Caminho para a Qualidade e Sustentabilidade», foi o mote dado pela conferência de abertura e ao longo das diferentes sessões foram abordadas várias áreas onde a integração é essencial, incluindo a participação do utente na definição do seu projeto de cuidados e do seu plano de cuidados”, explica Sofia Azevedo, delegada distrital da APMGF em Viana do Castelo e membro da Comissão Organizadora e Científica do evento.

A delegada distrital da APMGF frisa que a comunidade de médicos de família do Alto Minho tem sabido manter a energia e a determinação necessárias para levar esta iniciativa em diante: “continuamos a organizar o Encontro, apesar de nem sempre a adesão ser aquela que nós desejaríamos. Mas continuaremos a fazê-lo porque acreditamos que este tipo de eventos locais permite uma discussão daquilo que é a nossa realidade e aprofundar laços entre os colegas dos cuidados de saúde primários e dos cuidados hospitalares. E acredito que é um ato importante para a qualidade na prestação de cuidados aos nossos utentes. Se nos conhecermos uns aos outros, se partilharmos as nossas experiências, seguramente seremos melhores médicos, melhores pessoas e conseguiremos cuidar melhor dos nossos utentes”.

O presidente da APMGF, Nuno Jacinto, relembrou que as delegações distritais e regionais e os grupos de estudo são a verdadeira força por detrás da Associação, estruturas que ganham visibilidade, precisamente, em encontros como este e que dão força aos desígnios comuns a todos os médicos de MGF em Portugal.

“Esta é uma Associação que tem de continuar a existir para defender um propósito simples que é dar voz a todos os médicos de família, seja qual for o seu contexto de exercício, a sua carreira, o seu local de trabalho. Mas também para promover a integração de cuidados, o lema do Encontro de MGF do Alto Minho deste ano, algo que é sempre muito falado, mas que é muito difícil de atingir”, frisou o dirigente.

Outra meta que tem sido difícil de atingir é a merecida valorização do trabalho dos médicos de família e demais profissionais dos CSP, assim como a promessa da tutela de ouvir as pessoas que mais de perto cuidam dos portugueses, antes de avançar com transformações na área da saúde, ressalvou Nuno Jacinto: “assinalámos recentemente dois anos do Plano de Emergência e Transformação na Saúde. Eu devo recordar que este é um programa que tem um eixo dedicado à saúde próxima e familiar, com várias medidas. Ora, os médicos de família não foram envolvidos na discussão deste programa e não há nele uma única medida que fale sobre a necessidade de nos reter e de atrair profissionais para o Serviço Nacional de Saúde ou até para a nossa especialidade. Este é um problema central; atrair colegas para a nossa especialidade e garantir que depois os colegas ficam a exercer como médicos de família dentro do SNS”. O presidente da APMGF adiantou que a especialidade tem um longo percurso ainda a fazer, aquém e além fronteiras, até porque a MGF não é sequer reconhecida em pleno século XXI como especialidade médica em todos os países da União Europeia: “é fundamental que todos nós, em cada região, continuemos a lutar por esta especialidade que defendemos e amamos. Mais uma vez, a APMGF estará presente sempre neste contexto, em todos os aspetos sócio-profissionais e técnico-científicos, assim como a apoiar atividades como o Encontro de MGF do Alto Minho (…) estes eventos são importantes não só pela parte científica, mas também pela troca de experiências, por permitirem que nos aproximemos e falemos com outros profissionais, com a SPMS, a ACSS, os Conselhos de Administração. Não nos devemos fechar na nossa concha, dentro da nossa USF, UCSP ou qualquer outra unidade de prestação de cuidados. É importante que participemos na APMGF, na USF-AN, nos sindicatos, na Ordem dos Médicos, nas nossas ULS, que estejamos junto dos nossos Conselhos de Administração, que façamos chegar os nossos contributos aos diretores clínicos. Mas, sobretudo, é importante que não deixemos esmorecer esta chama. É importante que continuemos a defender a nossa especialidade em cada momento”.

Para Nuno Jacinto, em tempos desafiantes como os atuais, é forçoso que os médicos de família, pese embora o cansaço e as constantes desilusões, se inspirem nas ideias que os conduziram à Medicina Familiar: “não desistam da MGF. Todos juntos vamos conseguir continuar a construir condições para ter CSP mais fortes e uma MGF mais sólida, mais atrativa e que faça jus à nossa escolha por aquela que é, claramente, a melhor especialidade do mundo”.

Obstáculos são grandes… mas vocação é maior

Também Bruna Regado, diretora de Internato de MGF na Direção de Internato Ricardo Jorge, concorda que no presente os representantes da MGF – em particular os mais jovens que iniciam carreira – são confrontados com uma realidade dura: “os jovens médicos procuram propósito, mas procuram também condições de trabalho dignas, equipas funcionais, autonomia, equilíbrio pessoal e capacidade de exercer Medicina com tempo e qualidade. E quando encontramos agendas sobrelotadas, excesso de burocracia e uma sensação frequente de desgaste, torna-se difícil despertar vocações. A sustentabilidade do SNS depende diretamente da valorização dos cuidados de saúde primários e dos médicos de família. E quando falo de sustentabilidade, falo também de sustentabilidade humana. Sabemos que não existe um SNS sustentável sem profissionais motivados, nem integração de cuidados verdadeira sem cuidados de saúde primários fortes”.

Embora nem tudo corra de feição, Bruna Regado está convicta de que existem motivos para confiar em melhores dias: “apesar das dificuldades, continuo profundamente otimista em relação à Medicina Geral e Familiar. Porque enquanto existirem profissionais capazes de organizar encontros desta qualidade e motivados para partilhar conhecimentos e estreitar relações, enquanto continuarmos disponíveis para refletir em conjunto sobre o futuro, então significa que a nossa especialidade continua viva, dinâmica e indispensável”.

Mas para que tais condições de progresso se consubstanciem, é essencial que os jovens médicos de família apostem numa vertente muita específica da sua formação e competências, como atestou o diretor clínico para a área de Cuidados de Saúde Primários da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), Nelson Rodrigues: “talvez o mais complexo que fazemos no nosso dia-a-dia seja a gestão da nossa prática clínica. E, portanto, àqueles que estão no exercício, e a todos os outros que irão começar, procurem ganhar competência nessa área. Porque é precisamente a gestão da prática clínica que nos vai permitir responder bem às solicitações, mas também permitir que todos vós possam ter uma boa vida e uma boa carreira”.

O dirigente da ULSAM deixou também uma nota de entusiasmo relacionada com a digitalização da saúde: “eu vejo o mundo digital como uma oportunidade para prestar cuidados de saúde de qualidade, mas também para retirar algum trabalho em excesso aos médicos de família. Neste momento estamos, por exemplo, envolvidos num projeto de telemonitorização da hipertensão, através da aplicação Telemonit SNS 24, desenvolvida pela SPMS. Com a esperança de que com este tipo de monitorização se possam eliminar consultas presenciais e poupar tempo”.

Prémios

Comunicações Orais

Comunicação Oral – Investigação

Menção Honrosa

VALIDAÇÃO DA VERSÃO PORTUGUESA DO “INTERNATIONAL PATIENT DECISION AID STANDARDS MINIMAL CRITERIA”: UM ESTUDO TRANSVERSAL

Micaela Gregório1, Andreia Teixeira2, Sofia Baptista3, Rosália Páscoa4, Dawn Stacey5, Carlos Martins6

1ULS Alto Ave, RISE-Health, 2RISE-Health, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, ADiT-LAB, 3RISE-Health, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, CUF Porto Hospital, 4RISE-Health, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, 5Universidade de Ottawa, 6RISE-Health, #H4A Primary Healthcare Research Network

Prémio

RADON|ESTAMOS ON: EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO RADÃO E PRESENÇA DE SINTOMAS RESPIRATÓRIOS – UM ESTUDO TRANSVERSAL NA SUB-REGIÃO DO ALTO MINHO

Carla Sofia Maciel Ferreira1, Ana López1, Marta Cardoso1, Diogo Caveiro1, Beatriz Sampaio1, João Rufo2

1ULS Alto Minho, 2Instituto Politécnico do Porto

Comunicação Oral – Relato de Caso

Prémio

Ectima Facial Recorrente Por Mrsa Numa Profissional De Saúde

Tomé Rocha1, Rosana Martins1, Carlos Santos1

1ULS Barcelos/Esposende

Comunicação Oral – Relato de Prática

Menção Honrosa

ENSINO DA TÉCNICA INALATÓRIA EM DOENTES COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÓNICA E ASMA: QUAL O MELHOR MÉTODO? RELATO DE PRÁTICA

Mariana da Cunha Correia1, Ana Rita D. Fernandes1, Adriana Marques Ferreira2, Catarina Roteia3, Hugo Sevivas Serralheiro4, Tânia Gomes5

1USF Vale do Vez, ULS Alto Minho; 2USF Ruães, 3USF Saúde Oeste, 4USF S. Ruães, 5USF São Vítor, ULS Braga

Comunicação Oral – Revisão Tema

Menção Honrosa

PAPEL DO MONTELUCASTE NO TRATAMENTO DA RINITE ALÉRGICA PEDIÁTRICA: REVISÃO BASEADA NA EVIDÊNCIA

João Pedro Dourado1, Rita Matilde Carvalho1, Ana Carolina Peixoto1, Sara Domingues1, João Abreu1

1USF Pró-Saúde, ULS de Braga

Comunicação Oral – Qualidade

Menção Honrosa

OTIMIZAÇÃO TERAPÊUTICA PARA A PREVENÇÃO DE QUEDAS NA POPULAÇÃO IDOSA

Tomé Rocha1, Rosana Martins1, Carlos Santos1, Dulce Pereira1

1ULS Barcelos/Esposende

Prémio

MELHORIA CONTÍNUA NO RASTREIO E GESTÃO DA OSTEOPOROSE NA POPULAÇÃO IDOSA

Rosana Martins1, Tomé Rocha1, Carlos Santos1, Dulce Pereira1

1ULS Barcelos/Esposen

Posters

 

Relato de Caso

Menção Honrosa

DISFONIA EM CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS: RELEVÂNCIA DE UMA ABORDAGEM CLÍNICA INTEGRADA

Rafaela Coelho da Silva1, Inês Cabral de Melo1, Marina Ribeiro1

1USF A Ribeirinha, ULS Guarda

Prémio

ESOFAGITE EOSINOFÍLICA: DA SINTOMATOLOGIA INTERMITENTE AO DIAGNÓSTICO ENDOSCÓPICO

Ana Rita Laranjo Melo1, Liliana Azevedo Marto1, Laura Braga de Sousa1, Joana Filipa Alves1

1ULSAM

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